(Charge Opinião)

Por Fernando Brito – Tijolaço / JAV

A reação do Governo Bolsonaro ao fato de o Brasil ter alcançado meio milhão de mortes limitou-se a uma nota do o ministro das Comunicações, Fabio Faria, incrivelmente criticando os que lamentam a morte de 500 mil pessoas na qual ele diz que políticos, artistas e jornalistas que se manifestam assim “torcem pelo vírus” e por um vídeo onde a Casa Civil diz que os 900 dias de poder de Jair Bolsonaro colocaram “o Brasil nos trilhos” e que somos os maiores e melhores no combate à pandemia no planeta. Um desastre, que soa como escárnio governista ao um momento dramático da vida nacional. Não houve – e tudo era previsível – preparação sequer para fingir que o governo está agindo diante deste desastre.

Jair Bolsonaro, em lugar disso, preferiu pegar “carona” na perseguição ao outro psicopata do Planalto, o tal Lázaro Barbosa Souza, que há dez dias escapa de uma caçada policial. Certamente uma boa pauta para sensacionalismo de imprensa, mas ridículo para quem tem sob sua guarda a vida de 214 milhões de brasileiros.

Até porque fazer carinho em policiais é, para ele, prioridade maior que solidarizar-se a meio milhão de famílias que perderam alguém em suas casas. Os 500 mil mortos já não um anátema, gravado na testa do atual presidente.

Bolsonaro não vai conseguir nada continuando a fingir que “todo mundo um dia morre mesmo” e que não está acontecendo um desastre nacional, que vai se expandir com o ritmo crescente de casos e mortes que todo dia é registrado. O país saiu da apatia em que se encontrava ao longo desta pandemia, porque descobriu que, sem correr riscos, só o que acontecerá é piorarmos nossa situação.

500 mil mortos dependem de milhões de vivos

Era muita gente a que vi na Avenida Presidente Vargas, e muito mais gente que no dia 29 de maio, segundo os que estiveram na primeira manifestação. Mas ainda éramos poucos, perto do que este dia exige dos brasileiros, quando já chegamos, segundo os números recolhidos em apenas uma parte dos Estado pelo consórcio formado pelos veículos da grande imprensa, aos 500 mil mortos. E é inadimissível que não sejamos, para tantos mortos, milhões e milhões exigindo o fim da morte como política de Estado. E teremos de ser mais milhões a cada semana, que nos toma, sem falta, mais 15 mil vidas.

Numa enquete de O Globo, 69% dos 106 médicos ouvidos acreditam que teremos um longo período com cerca de duas mil mortes por dia. Esta é, portanto, uma emergência nacional, uma situação de ameaça à Nação que em nada difere de uma guerra, sem que tenhamos outro exército para nos proteger que os trabalhadores do SUS, aos quais faltou e ainda falta a munição vacinal para que possa enfrentá-la.

Nenhuma morte será honrada por quem sobrevive acovardado. Nenhum sobrevivente será digno da vida se não lutou para que viver fosse um direito de todos.

Tomara que São Paulo, a mais populosa cidade do Brasil e a mais vitimada por esta desgraça mostra ao Brasil que se levanta pela vida.