Natalia Pasternak a senador bolsonarista: como netos do holocausto não esqueceremos

"Nós judeus já passamos por isso antes e nossa meta, como filhos e netos do holocausto, é nunca esquecer. Para que governos autoritários não coloquem em risco a vida e a saúde de suas populações", disse a pesquisadora sobre manifesto publicado em reportagem da Fórum

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Jorginho Mello e Natalia Pasternak (Foto: Monstagem)

Por Plinio Teodoro – Revista Fórum / JAV

A microbiologista Natalia Pasternak deu uma invertida no senador Jorginho Mello (PL-SC), que acusou a cientista e o médico Cláudio Maierovitch, ex-presidente da Anvisa, de serem “literalmente adversários do governo Bolsonaro”.

Em sua intervenção durante na CPI do Genocídio nesta sexta-feira 11, Mello ressaltou que não comentaria a “questão técnica, científica” do depoimento, mas o posicionamento político dos pesquisadores.

O senador mostrou, então, uma série de reportagens à pesquisadora, entre elas uma matéria da Fórum (leia aqui) sobre a carta de intelectuais judeus com críticas ao presidente, que foi assinada pela microbiologista.

 “Eu não vou fazer nenhum tipo de perguntas, respeitando a explanação técnica que vocês deram aqui, por entender que o outro têm lado e eu tenho que respeitar isso”, disse Mello.

Na sequência, Natalia pediu a palavra, agradeceu a colocação do senador bolsonarista e explicou seu posicionamento.

“Não é uma questão de ser adversário do governo. Inclusive políticas públicas são o tema central do meu trabalho com o Instituto Questão de Ciência, que é a ONG que eu presido. Políticas públicas baseadas em evidências científicas. E quando as políticas públicas não são baseadas em ciência, principalmente políticas públicas de saúde, eu preciso me manifestar. Assim diz o meu estatuto”, afirmou.

A microbiologista ainda apontou a distorção da ciência pelo governo para promover “curas milagrosas”.

“Todo cientista brasileiro quando percebe que a ciência está sendo distorcida para promover curas milagrosas e está sendo ignorada para o que ela pretende no controle da pandemia, nas medidas que são aprovadas pela ciência. Então, é obrigação do cientista se manifestar, porque é o cientista que tem que esclarecer essas questões para a população e os gestores”, afirmou.

Natália ainda ressaltou que a questão não é ser contra o governo Bolsonaro.

“Não é uma questão de ser adversário do governo. O meu instituto nunca se posicionou em questões que não são pertinentes à ciência. O senhor certamente nunca me ouviu falar sobre a privatização dos Correios ou a reforma da previdência. Mas, quando a ciência é distorcida para embasar políticas públicas erradas, então a ciência precisa, sim, se posicionar. Então, não é uma questão pessoal com Jair Bolsonaro. É uma questão com a política pública desse governo, que está sendo promovida pelo presidente”, disse.

Judeus

Sobre o manifesto dos intelectuais judeus, mostrado na reportagem da Fórum, Natália diz ser membro do conselho do Instituto Brasil-Israel, responsável pelo documento.

“O manifesto fala por si. É simplesmente um manifesto de judeus que estão preocupados com um governo autoritário. Nós judeus já passamos por isso antes e nossa meta, como filhos e netos do holocausto, nunca esquecer. Para que governos autoritários não coloquem em risco a vida e a saúde de suas populações”, afirmou.