Ministério da Saúde revisa estudos e agora contraindica uso da cloroquina

O uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina, é defendido publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro

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Cloroquina e hidroxicloroquina estão entre os medicamentos do chamado “tratamento precoce” (Foto: Marcos Santos/Agência Pará)

Um documento elaborado pelo Ministério da Saúde após revisão de estudos e diretrizes com especialistas não recomenda o uso de medicamentos como a hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina, ivermectina e outros, como o remdesivir, para tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19.

O parecer abre espaço para uso de um grupo restrito de medicamentos, como corticoesteróides (caso da dexametasona) e anticoagulantes, mas em casos específicos e conforme orientações.

Chamado de “Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com Covid-19”, o documento, obtido pela Folha, começou a ser avaliado na quinta-feira 13, na Conitec, comissão que analisa a inclusão de medicamentos e protocolos de tratamentos no SUS. A comissão atua como órgão consultivo da Saúde para essas decisões.

Agora, a previsão é que ele seja colocado em consulta pública na próxima semana por 10 dias. O uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina, é defendido publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro e tem sido alvo da CPI da Covid, no Senado.

O parecer foi feito por um grupo técnico formado na gestão do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e coordenado pelo professor Carlos Carvalho, da USP. No início deste mês, a coluna Painel revelou que o grupo já pretendia não recomendar os remédios em diretriz hospitalar.

Essa é a primeira vez que a Conitec analisa o uso de tratamentos para a Covid e indicações sobre a cloroquina, medicamento que virou alvo de disputa política nos últimos meses.

Até então, o Ministério da Saúde tinha um documento com “orientações” sobre uso de cloroquina e outros medicamentos, elaborado em meio a pressão do presidente Jair Bolsonaro. Esse primeiro documento, porém, não tinha passado pela comissão e era alvo de críticas após estudos apontarem ineficácia. (…)

Por Julia Chaib e Natália Cancian na Folha de S.Paulo.