(Charge pode isso 191)

Pode isso 191

Do Tijolaço, por Fernando Brito

Não fosse a inapetência de Jair Bolsonaro para governar, a esta altura Paulo Guedes seria o ex-ministro da Economia e não apenas o ex-superministro que se tornou. A sucessão de absurdos que vem dizendo nos últimos dias – aliás, só assim consegue alguma manchete em jornais, porque medidas econômicas não consegue adotar – são, certamente, guinchos de desespero. Guedes perdeu a proteção do “ruim com ele, pior sem ele” que vinha sendo a razão maior de sua permanência no cargo.

Agora, o traço mais evidente do “apoio” empresarial largou mão do atacado – medidas de política econômica de superausteridade – e passou para o varejo das “oportunidades de negócio”, de curto prazo, à espreita do que possam abocanhar nas maluquices privatizantes e tributárias com que Guedes pretende agarrar-se ao cargo.

O arranjo feito com o atrabiliário Artur Lira para “tocar” às pressas uma reforma tributária que ninguém sabe o que é vai abrir uma crise – está aí o exemplo da vizinha Colômbia – ou, e mais provável, vai ser uma corrida ao pote: mexer com tributos quando o governo está desesperado por migalhas e os contribuintes – exceto os grandes e poderosos – está asfixiado pela crise não pode dar boa coisa. Mas Paulo Guedes segue com a sua suavidade de hipopótamo na loja de louças já aos cacos. Só não é pior porque está no fim, a caminho de cremação na qual ele próprio se incendeia.

Entidade pede investigação de procissão religiosa a favor da tortura em Goiás

Do Sagres.

No último sábado 1º, em meio a uma tarde de atos a favor do presidente Jair Bolsonaro, dois manifestantes utilizaram roupas semelhantes as da tradicional Procissão do Fogaréu para pedir que Deus perdoe os torturadores. O fato foi registrado na cidade de Goiás e gerou notas de repúdio de entidades e da prefeitura do município. O presidente da Organização Vilaboense de Artes e Tradições (Ovat), afirmou em entrevista à Sagres que prepara os documentos para entrar com uma representação na Polícia Civil e no Ministério Público sobre o caso.

“A gente vai tomar todas as providências que forem necessárias, não seremos formadores de juízos de valor, apenas queremos que se investigue, porque é a investigação que vai trazer elucidação aos fatos, apurar se realmente houve o crime. E que sirva de exemplo para que outras pessoas não utilizem as expressões culturais, religiosas, a imagens em frente aos templos religiosos, para se autopromover”.

“Burguesia está atordoada e não sabe o que fazer com Bolsonaro”, afirma Stédile

Com informações da Folha/ 247

O líder do MST, João Pedro Stédile, concedeu uma importante entrevista ao jornalista Joelmir Tavares, na Folha de S. Paulo, em que explica por que Jair Bolsonaro ainda não foi derrubado, a despeito dos inúmeros crimes de responsabilidade já cometidos. “Bolsonaro é presidente não por força própria. É o espelho da burguesia brasileira. Quem botou ele lá foi a burguesia, a Globo, porque não queria o PT. Nas circunstâncias em que estamos vivendo, de crise econômica, social e sanitária, só uma coisa pode tirar o Bolsonaro de lá: a burguesia”, diz ele.

“A burguesia percebeu que o Bolsonaro é um insano e não tem viabilidade, mas não decidiu ainda derrubá-lo porque a devolução dos direitos políticos do Lula colocou um bode na sala. O Lula está no segundo turno. Acho que a burguesia ainda não chegou a uma decisão de qual tática é melhor. Está atordoada, confusa e dividida, entre uma direita burra, que ainda aposta tudo no Bolsonaro, e uma direita gourmet, que está envergonhada dele e ainda não criou coragem para tirá-lo. Se fosse com a Dilma, ela já teria sido crucificada, não é nem afastada”, pontua. Stédile também explica por que vai apoiar Lula em 2022. Segundo ele, o ex-presidente é “o único líder político no país que consegue falar tanto com banqueiros quanto com trabalhadores de reciclagem”.

Câmara estuda volta de doação de empresas para candidatos, fonte dos maiores escândalos políticos do país

Do Jornal Estado de São Paulo

Quase seis anos depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir em 2015 o financiamento empresarial de campanhas políticas, a Câmara avalia uma forma de tornar viável a destinação de recursos do setor privado para candidatos ou partidos. Uma proposta discutida nos bastidores por deputados prevê que sejam estabelecidos tetos de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por empresa, independentemente do porte da companhia. A informação do jornal Estadão. A retomada do financiamento empresarial deverá ser levada para o centro do debate nesse pacote. Até agora, no entanto, não há intenção de reduzir o valor bilionário do Fundo Eleitoral.

O valor poderia ser doado para um único candidato ou dividido entre outros concorrentes, de deputado federal a presidente da República. A medida, porém, não é encarada como um substituto do Fundo Eleitoral, que no ano passado foi de R$ 2 bilhões. O modelo do fundo como é hoje, abastecido com dinheiro público, continuaria existindo. A proposta é patrocinada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira.

Rodrigo Maia é xingado de “porco” e “Nhonho” por bolsonaristas após detonar Bia Kicis

Das redes sociais

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara, virou alvo de ataques do esquadrão bolsonarista nas redes nesta terça-feira 4.

Maia detonou a presidente da CCJ, Bia Kicis (PSL-DF), chamando-a de “pessoa sem dimensão da realidade, da política e da democracia” e afirmando que a comissão se tornou um “laboratório de teorias conspiratórias e debates infrutíferos” sob o comando dela.

Não demorou muito para o parlamentar passar a ser chamado de “porco”, “Nhonho” (em alusão ao personagem gordinho de Chaves) e até de “petista”.

Em meio à pandemia, Itaú tem lucro de R$ 6,4 bilhões no 1º trimestre

Do UOL

O Itaú Unibanco, maior banco da América Latina, registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,398 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 63,6% mais que os R$ 3,9 bilhões reportados para igual período de 2020. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, a cifra subiu 18,7%. “Neste primeiro trimestre, evoluímos muito em nosso processo de transformação cultural, para estarmos cada vez mais preparados para os atuais desafios. Conseguimos acelerar a nossa agenda de transformação digital e diversas outras frentes de trabalho fundamentais para melhoramos significativamente a experiência dos nossos clientes”, disse o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, no material de divulgação dos resultados.

A carteira de crédito total do Itaú avançou 4,2% nos três primeiros meses deste ano ante o trimestre anterior, para R$ 906,354 bilhões. Em um ano, foi identificada alta de 15%. No caso da pessoa física, os empréstimos tiveram elevações de 2,2% e 9,8%, respectivamente.

Já o seu custo de crédito alcançou R$ 4,111 bilhões de janeiro a março, cifra 31,9% inferior à verificada nos três meses imediatamente anteriores. (…)