Hérnia de disco: doença pode diminuir ou sumir? Especialista explica!

Doença que atinge cerca de 5,4 milhões de brasileiros de acordo com o IBGE é mais comum em adultos de meia-idade, mas também pode acometer sedentários, tabagistas e pessoas que carregam muito peso sem preparo da coluna

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A coluna vertebral dos adultos é composta por 24 vértebras e algumas são protegidas por discos macios feitos de uma substância gelatinosa (Foto: Divulgação)

A coluna vertebral dos adultos é composta por 24 vértebras. Algumas das vértebras são protegidas por discos macios feitos de uma substância gelatinosa. Esses discos permitem que você mova a coluna e se incline. Mas, se um disco entre duas vértebras começar a deslizar para fora do lugar, pode irritar os nervos ao redor e causar dor extrema. A condição é chamada de hérnia de disco e quem já tenha experimentado essa doença sabe como ela pode ser bastante dolorosa.

A condição que atinge cerca de 5,4 milhões de brasileiros de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é mais comum em adultos de meia-idade, pois conforme você envelhece, os discos tendem a ter fissuras e com o tempo perder algumas caraterísticas que auxiliam na absorção de carga. Isso aumenta a probabilidade da doença, mas segundo o fisioterapeuta Bernardo Sampaio, fatores ambientais também podem aumentar as chances de um individuo sofrer com a condição. “Sedentarismo, tabagismo, excesso de peso corporal e hábito de carregar muito peso sem preparo da coluna são fatores que podem acelerar o desgaste do disco e, consequentemente, causar as hérnias, que raramente são provocadas diretamente por traumatismo.” – explica Bernardo, que também é diretor clínico do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral e do Instituto Trata, unidades de Guarulhos.

De acordo com o especialista, um sinal pode ser onde está a dor. “Embora a hérnia de disco possa ocorrer em qualquer parte da coluna, ela é mais comum na parte inferior da coluna lombar, logo acima do quadril. A dor pode se espalhar das costas para as nádegas, coxas e até mesmo para as panturrilhas. Na coluna cervical as dores geralmente acometem os braços e as mãos.” – destaca. “Até mesmo tossir, espirrar e sentar pode piorar os sintomas, porque pressionam os nervos comprimidos” – explica.

No entanto, Bernardo alerta também que, nem todas as hérnias de disco causam dor. “Existem sim hérnias de disco que são assintomáticas e que podem ser descobertas por acaso quando o paciente faz um exame de imagem.” Diz. Mas para quem sofre com a condição a pergunta que fica é: uma hérnia de disco pode melhorar sozinha ou se tornar assintomática?

Para Bernardo, especialista em fisioterapia músculo esquelética, as hérnias de disco, na maior parte das vezes, diminuem de tamanho. “Essa pode ser uma resposta imunológica do seu corpo. Em alguns casos, o corpo pode reconhecer a parte do disco que herniou como um material estranho e atacá-la, reduzindo o tamanho do fragmento. As proteínas inflamatórias também são removidas” – pontua. Outro motivo que pode reduzir os sintomas e a dor causada por uma hérnia é a absorção de água. “O fragmento herniado do disco contém água. Com o tempo, essa água será absorvida pelo corpo, fazendo com que a hérnia diminua de tamanho, essa reabsorção faz parte da história natural da lesão do disco”. Existem estudos mostrando que a taxa de reabsorção da hérnia extrusa (teoricamente maior), por exemplo, é maior do que a de uma protusão de disco.

O problema é o tempo que se leva para que isso aconteça, pois pode variar de pessoa para pessoa. “Qualquer um dos fatores que mencionei podem ajudar a reduzir o tamanho da hérnia, no entanto isso não significa que seu disco cicatrizou por si só, pois a hérnia ainda está lá. Os sintomas, no entanto, acabam diminuindo devido à ausência ou redução da inflamação e pressão perto da raiz nervosa” – destaca o fisioterapeuta.

Bernardo orienta que, se o paciente possui uma hérnia de disco, a questão principal não é se ela tecnicamente vai sarar. Em vez, disso, a questão mais importante é como o paciente deve focar seu tratamento e reabilitação para reduzir os sintomas agudos e prevenir problemas futuros. “O tratamento para essa condição consiste em um programa fisioterapêutico que utiliza técnicas de fisioterapia manual, mesa de tração eletrônica, mesa de descompressão dinâmica, estabilização vertebral e exercícios terapêuticos específicos.”

Ainda segundo o profissional, durante todo o tratamento, o objetivo é melhorar o grau de mobilidade músculo-articular, diminuir a compressão nos discos, dando espaço para os nervos e fortalecer os músculos profundos e posturais da coluna vertebral através de exercícios terapêuticos específicos enfatizando o controle intersegmentar da coluna lombar, cervical, quadril e ombros. A cirurgia é realizada em último caso. “A cirurgia na coluna é séria e deve ser avaliada adequadamente. O paciente precisa atender os requisitos do exame físico e do histórico médico. Além disso, é preciso saber como essa dor está incomodando e afetando a qualidade de vida do paciente. Caso sinta dores, procure pelo profissional de saúde e não postergue seu tratamento” – finaliza o fisioterapeuta.

BERNARDO SAMPAIO – Fisioterapeuta pela PUC-Campinas (Crefito: 125.811-F), diretor clínico do ITC Vertebral e do Instituto Trata, unidades de Guarulhos, Bernardo Sampaio é também professor do curso de pós graduação em fisioterapia traumato-ortopédica do Instituto Imparare e do curso de fisioterapia do Centro Universitário ENIAC (Guarulhos) e também leciona como convidado nos cursos de pós-graduação na Santa Casa de São Paulo.

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