O mundo de Bolsonaro é muito louco (Foto: Divulgação)

Por Luis Nassif – GGN – JAV

Jair Bolsonaro nunca teve dimensão para ser um general, um comandante. Foi apenas um oficial de patente inferior que ganhou uma promoção a capitão quando foi expulso do Exército. Por isso mesmo, seu conhecimento era no campo de atentados políticos, não das estratégias militares.

Sorte do país! Graças a esse despreparo, fez sua maior aposta em um momento em que estava enfraquecido pelo ricochete de suas próprias declarações.

O que estaria por trás desse discurso que praticamente deflagra seu processo de impeachment?

As atitudes de Bolsonaro não podem ser analisados pela lógica das estratégias normais de pessoas racionais. O seu mundo é muito louco e não se trata de uma patologia individual, mas que se estende à própria família e a um grande séquito de eleitores.

Bolsonaro a filhos acreditam em terraplanismo, na coronavírus como conspiração dos chineses, em conspiração internacional para esconder as informações do público, acredita que Lula é comunista, que Fernando Henrique é comunista, que a imprensa é comunista. Acredita piamente que as mortes anunciadas são boato e que a coronavírus não passa de uma gripezinha qualquer.

Nos últimos dias, foi enquadrado pelo lado militar-racional do governo. Depois de minimizar o coronavírus, foi obrigado a declarar sua gravidade. Depois de ofender governadores, foi obrigado e recebê-los em cerimônia oficial. Depois dos ciúmes contra o sucesso do Ministro da Saude, teve que curvar momentaneamente às suas orientações. Na verdade, entrou em uma sinuca extraordinariamente complexa para uma mente simples e limitada como a dele.

Há duas estratégias na luta contra a coronavírus

A primeira é a de postergar o pico da doença para permitir ao sistema de saúde se aparelhar. Exige administrar quarentenas, a reconversão da indústria, a logística, a coordenação dos institutos de pesquisa, as negociações com governadores e prefeitos e, principalmente, o estado de espírito da população. Para Bolsonaro, seria um suplício, uma pessoa limitado até nas leituras tatibitates de discursos escritos.

A estratégia exigiriam reuniões públicas permanentes, obrigando Bolsonaro a exercício permanentes da liturgia do cargo, sem ter noção do que falar, do que mandar, de como se comportar. Nunca sua mediocridade ficou tão explícita quanto nessas reuniões.

Além disso, o estratégia traria impactos maiores sobre a economia, corroendo ainda mais seu capital político.

Bolsonaro optou, então, pela aposta na segunda estratégia. Reuniu os gênios da família e, provavelmente, delinearam em conjunto a seguintes estratégia de apostar tudo ou nada na crença de que a coronavírus é uma gripezinha e o alarido em torno dela é fruto de uma conspiração internacional.

A estratégia seria rápida, então: deixar tudo correr solto, esperar um enorme pico imediato da doença, que contaminará jovens e matará velhos. Os jovens contaminados, depois de curados, estarão vacinados. Enterram-se os mortos e volta-se para a vida normal. E, através das redes de WhatsApp, a família aloprada passará aos seguidores argumentos de que morreu quem tinha que morrer, que não teve fé para sobreviver e outras terraplanícies.

Todas suas atitudes políticas são de perfeita emulação do seu ídolo maior, Donald Trump. Nos EUA, Trump decidiu minimizar a coronavírus, acenou com remédios mágicos, atacou a imprensa, deblaterou contra o confinamento. E perdeu a aposta.

Agora, o dia seguinte chegou. Foi uma aposta tão estabanada, que colocou contra ele os presidentes do Senado, Câmara, Supremo Tribunal Federal e, provavelmente, o Alto Comando das Forças Armadas.

O impeachment

Para tirá-lo, não será necessário nem a gambiarra política que usaram contra Fernando Collor (no episódio do Fiat Elba) ou de Dilma Rousseff (no caso do orçamento).

A Lei No 1.079, de 10 de abril de 1950, define os crimes de responsabilidade do Presidente da República. São 8 itens. Dilma Rousseff foi enquadrada no mais inocente deles, “VI – A lei orçamentária”.

Apenas nos últimos dias, Jair Bolsonaro incorreu em três dos mais graves:

II – O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados: insuflou a população a atacar os demais poderes.

III – O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais: cancelou direitos dos trabalhadores, ao impor o afastamento compulsório do emprego, mesmo tendo voltado atrás depois.

IV – A segurança interna do país: colocou em risco a saúde da população, ao determinar, sem ter poderes para tal, o fim do confinamento e da quarentena, indo contra a opinião de especialistas e as evidências internacionais.

Por isso mesmo, parem com essa história de buscar a interdição através do diagnóstico de uma junta médica. Mesmo porque, além despolitizar o que está ocorrendo no país, o diagnóstico o tornaria inimputável, não podendo ser condenado por crimes de responsabilidade ou crimes comuns, além de comprometer toda uma luta antimanicomial.

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