CARTA DE RIO DO SUL

Reunidos nos dias 30 de novembro e 1° de dezembro na cidade de Rio do Sul para a Plenária Estadual da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar de Santa Catarina-Fetraf-SC/CUT, lideranças sindicais da Agricultura Familiar, Cooperativas de Crédito Solidário, Produção, Comercialização, Habitação, Unicafes, Fórum de Entidades do Alto Vale, Deputados, Vereadores e convidados manifestam nesta Carta Documento apoio às trabalhadoras e trabalhadores do MST, acampamento Marcelino Chiarello. Repudiamos a decisão do judiciário favorável ao latifúndio sobre terras públicas e a ação truculenta da polícia na retirada dos trabalhadores, trabalhadoras, jovens e crianças do Acampamento Marcelino Chiarello na cidade de Xanxerê, Oeste de Santa Catarina. Repudiamos todas as ações violentas do aparelho repressor do Estado para expulsar, torturar e matar em várias regiões do Brasil. Exemplo bárbaro da execução dos dez trabalhadores Sem Terra no sul do Pará no mês de maio deste ano pela polícia militar.

É tempo nebuloso, de difícil travessia em nosso país, com o acirramento de diversas formas de violência do Estado contra os trabalhadores. Violência aos direitos como aposentadoria, violência à Consolidação das Leis Trabalhistas-CLT, violência às conquistas da Agricultura Familiar e Camponesa, violência sobre a Lei de proteção, combate e erradicação do trabalho escravo, violência contra direitos a dignidade das mulheres, violência ao direito das crianças e adolescentes, violência contra o acesso e permanência na terra.

Repudiamos o assalto à democracia, o saqueamento das riquezas e a entrega da soberania nacional do país;

Repudiamos toda violência do Estado às conquistas da Classe Trabalhadora no Brasil;

Repudiamos a violência psicológica, social e histórica do Estado contra as crianças do acampamento;

Repudiamos a violência do Estado sobre o direito do acesso à Terra;

Repudiamos a violência física, verbal, coercitiva do aparato militar para expulsar os trabalhadores do acampamento Marcelino Chiarello em Xanxerê;

Repudiamos a concentração da terra, que escraviza, destrói recursos naturais e reduz a possibilidade de divisão digna da terra e justa reforma agrária para trabalhadores excluídos do acesso;

Nós trabalhadores e trabalhadoras da agricultura Familiar de Santa Catarina reunidos nesta cidade de Rio do Sul repudiamos toda e qualquer forma de violência que vise a exclusão, a condenação à margem social, a marginalização dos que lutam pelo acesso e permanência na terra. Repudiamos este Estado secularmente alinhada às elites seculares!

Nós somamos as fileiras da luta pela terra, a luta de cada homem, mulher, jovem e criança que sonham e buscam um lar para viver, uma terra para se alimentar e uma bandeira para sonhar. Pois como bem disse Pedro Casaldáliga, o poeta do Araguaia: ‘’Terra é mais do que terra. Terra é justiça, terra é cultura, terra é saúde, terra é direitos de criar os filhos com dignidade, terra é cidadania’’.

Muita força, coragem e resistência! Somos todos lutadores e lutadoras do povo. Firmes sigamos em frente, encorajados como orientava o grande mestre Dom José Gomes.

Rio do Sul 30 de novembro de 2017