Manifestação da Agricultura Familiar e Camponesa no trevo de Curitibanos/São Cristóvão

Dia 22 de março é o Dia Mundial da Água. Esta data foi criada com o objetivo de alertar a população internacional sobre a importância da preservação da água para a sobrevivência de todos os ecossistemas do planeta.

Para isso, todos os anos o Dia Mundial da Água aborda um tema específico sobre este mineral de extrema e absoluta importância para a existência da vida. O tema de 2022 é “Águas subterrâneas: Tornando o invisível visível“. Embora escondidas sob os nossos pés, as águas subterrâneas enriquecem as nossas vidas, apoiando o abastecimento de água potável, sistemas de saneamento, agricultura, indústria e ecossistemas.

A conscientização sobre a urgência da economia deste recurso natural é uma das principais metas desse dia. Mas, como cuidamos da mãe terra e da irmã água?

Nos últimos três anos a região Sul, parte do Sudeste e do Centro Oeste vem passando por escassez de chuvas. A chuva não tem sido o suficiente para garantir boas safras, e a Agricultura Familiar nessas regiões vem sofrendo perdas enormes na produção de alimentos. A chuva é tão pouca que agricultores perderam boa parte da safra e muitos a perderam totalmente. E tem gente sem água até para beber porque as nascentes secaram devido ao esgotamento dos lençóis freáticos, os reservatórios debaixo da terra. Enquanto isso os desmatamentos estão enfraquecendo os rios voadores.

PLANTAR ÁRVORES NATIVAS E GARANTIR ÁGUA

Rios voadores são imensos volumes de vapor de água que vêm do Oceano Atlântico, precipitam sob a forma de chuva na Amazônia – onde ganham corpo – e seguem até a Cordilheira dos Andes, encontrando a muralha rochosa presente nessa região, que os faz desviar e flutuar sobre a Bolívia até o Uruguai e os estados brasileiros de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os rios voadores possuem cerca de três quilômetros de altura, algumas centenas de largura e milhares de quilômetros de extensão. Isso significa que, em alguns dias do ano, um rio com as dimensões do Amazonas atravessa os céus do Brasil.

Com o desmatamento da Amazônia esses rios voadores estão perdendo sua intensidade. As estiagens tendem a crescer na mesma proporção dessa agressão à maior floresta tropical do mundo. Se não cuidarmos, a região amazônica vira um deserto e o Brasil e outros países que precisam dos rios voadores podem colapsar por falta de água.

É urgente a criação de políticas públicas para socorrer a Agricultura Familiar e Camponesa dos efeitos das estiagens. Por três anos consecutivos agricultoras e agricultores estão sofrendo grandes perdas na produção por causa das estiagens. As organizações da Agricultura Familiar e Camponesa estão reivindicando políticas públicas emergenciais e anistia de dívidas para que o setor possa enfrentar esse problema.

As federações dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Agricultura Familiar dos três estados do Sul do Brasil (FETRAFs) estão trabalhando conjuntamente para mobilizar a categoria a fim de cobrar dos governos estadual e federal, mais recursos financeiros a serem destinados a novas linhas de crédito e ações concretas para se estruturar e resistir às secas: açudes, cisternas, reflorestamento de nascentes com mudas nativas, entre outras iniciativas. Inclusive defender o crédito de carbono, compensação àqueles agricultores que preservam suas áreas verdes, florestas e pastagens, que capturam dióxido de carbono da atmosfera. Medida importante de incentivo, muito eficaz no processo de controle das mudanças climáticas estabelecido no Acordo de Paris.

No dia 16 de fevereiro deste ano as três federações organizaram protestos em 22 locais para pressionar os governantes a agirem. Em Santa Catarina aconteceram atividades em Dionísio Cerqueira, Chapecó e Curitibanos. A mobilização em Curitibanos envolveu agricultores do Vale do Itajaí, do Meio Oeste, do Planalto Serrano e do Planalto Norte, regiões de Rio do Sul, Caçador, Lages e de Mafra.

Em Curitibanos a manifestação aconteceu no grande trevo que faz o cruzamento das BRs 470 e 116. Em ambas as rodovias os manifestantes bloquearam a pista por meia hora, única forma efetiva de chamar a atenção dos governos e da sociedade. O slogan da manifestação: “A Agricultura Familiar e Camponesa pedem socorro”! Esse pedido de socorro é sério porque é a Agricultura Familiar e Camponesa que produz 76% dos alimentos que chegam todos os dias às nossas mesas.

Portanto, vamos todos refletir sobre os cuidados da natureza, com a Mãe Terra para que ela continue nos dando água e comida para vivermos bem! Vamos cuidar com amor de Gaia, que na mitologia grega é “Mãe amorosa” que precisa do nosso amor!

Por: Aurio Gislon – Jornalista, presidente do  COMSEA de Rio do Sul e articulador do Projeto Terra Solidária Articulando Territórios da FETRAF-SC e Ana Maria Vendrami – Coordenadora diocesana da Comissão Pastoral da Terra da Diocese de Rio do Sul

POESIA DE: Élcio José Martins

ÁGUA DA VIDA

Cai a chuva cristalina,

Nasce o cio na terra menina.

Semeia-se novamente a semente,

Dá vida a um novo ser vivente.

 

A água que dá a vida, que veio do sopro,

É a mesma que banha o corpo.

É a lágrima que lava a alma,

Face molhada que a dor acalma.

 

Banha a vida

E acalma a alma.

Rega o solo na caída,

Distraída se transforma.

 

No rio, corre mansa e faceira,

Cachoeiras de cristais caem livres em ribanceira.

É a vida que se vai algemada na esteira,

Quem pensa diferente tapa o sol com a peneira.

 

No lençol se faz poupança,

É reserva e esperança.

Dá medo e insegurança,

Quando a natureza faz vingança.

 

Desprezar a natureza não é uma boa decisão,

Falta d’água na nascente aniquila a população.

Não adianta promessa e pajelança,

Plante flores em seu jardim, aproveite essa bonança.

Campo e cidade: lideranças do Alto Vale do Itajaí participaram dos protestos no trevo de Curitibanos/São Cristóvão