São Paulo - Vacinação contra covid-19 aos profissionais da saúde do Hospital das Clínicas, no Centro de Convenções Rebouças.

Por Nara Lacerda, no Brasil de Fato

O debate sobre a necessidade e a possibilidade de aplicação de uma terceira dose da vacina contra o coronavírus chegou ao Brasil com força na semana que se encerra neste sábado (21). Na quarta, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que se o reforço na imunização for estabelecido no país, a campanha vai começar pelos idosos e profissionais da saúde.

Queiroga ponderou que a decisão ainda depende de estudos científicos e, o mais importante, da disponibilidade de doses. Um dia depois, na quinta-feira, a secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19, Rosana Leite de Melo, disse a órgãos de imprensa que o governo tem a quantidade necessária para reforçar a imunização entre idosos. A ideia seria começar as aplicações já em setembro e deixar crianças e adolescentes para a futuro.

Em paralelo, a Direção Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicou orientação para que o governo incorpore ao Plano Nacional de Imunização, em caráter experimental, uma terceira dose para quem foi imunizado pela Coronavac. A medida é direcionada quem tem mais de 80 anos ou imunidade comprometida.

Nesta semana a Anvisa se reuniu com representantes do laboratório Pfizer para coletar informações sobre as pesquisas realizadas pela farmacêutica a respeito dos efeitos que o reforço provoca na imunidade. A intenção é justamente avaliar em que situações a dose extra seria necessária.

No podcast A Covid-19 na Semana, o médico de família Aristóteles Cardona, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, ressalta que a necessidade do reforço confirma que o combate à covid é ainda mais complexo do que se imaginava inicialmente:

“Se, por um lado, no início, a gente não tinha ideia de quando a vacina chegaria e vivíamos na tensão da espera, de alguma maneira, a gente já imaginava que não seria tão simples. O que tem se confirmado nessas últimas semanas -, uma conclusão que parece estar cada vez mais consolidada  –  é que, ao longo do tempo, mesmo para quem tomou a duas doses, a necessidade de uma terceira dose parece se mostrar uma tendência”.

Aristóteles explicou que já há pesquisas no mundo que indicam que a imunidade proporcionada pelas vacinas diminui com o tempo, “À medida que o tempo passa, após as duas doses, a imunidade está caindo. Não é uma queda que deve nos levar ao desespero ou que jogue fora todo o esforço. Mas está acontecendo. Vale destacar que não é para vacina a, b ou c. Está sendo apontado em todas as vacinas”.

O debate também chegou ao Congresso Nacional. Na segunda-feira (16), durante sessão da comissão temporária que trata da pandemia, senadores expressaram preocupação com o tema. Em resposta, pesquisadores e representantes do Ministério da Saúde informaram que há necessidade de observar o avanço e os efeitos das variantes do coronavírus, para planejar o eventual reforço.

No resto do mundo, decisões já começam a ser tomadas para levar o reforço da vacina à população. Em Israel a aplicação está acontecendo desde o início do mês. Os Estados Unidos definiram o início da revacinação para setembro. Na América Latina, Chile, Uruguai e Colômbia também já tomaram decisões nesse sentido.

Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstra preocupação com a falta de vacinas no mundo. A entidade criticou a corrida de países com maior poder econômico para disponibilizar a terceira dose. Na quarta-feira (18), a cientista-chefe da organização, Soumya Swaminathan, afirmou que há questões éticas e morais na administração do reforço nessas nações “enquanto o resto do mundo espera sua primeira injeção”.

Publicação do Brasil de Fato