Plano Safra não considera desafio do momento para a Agricultura Familiar

Inflação no custo de produção pode piorar a situação da fome no Brasil. Governo não tem uma política de segurança alimentar

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Por Cristiane Sampaio, Brasil de Fato | Jav Online

Lançada em junho deste ano para abarcar o período 2021/2022, a versão atual do Plano Safra prevê R$ 251,2 bilhões em financiamentos para produtores rurais – um incremento de 6,3% em relação ao montante da última edição do programa –, mas está deixando a desejar em termos de atendimento às necessidades atuais da Agricultura Familiar. É o que afirmam entidades e trabalhadores do segmento, que se queixam de falta de enquadramento da política ao contexto gerado pela pandemia.

Uma das principais reclamações diz respeito ao teto do financiamento para camponeses com esse perfil, que permanece em R$ 250 mil. De acordo com o agricultor familiar Maiquel Roberto Junges, 37, o valor não considera o atual contexto de aumento dos custos de produção.

“Se o governo estivesse injetando mais recursos no andar de baixo da agricultura, a inflação não estaria nesta situação de agora. O que está faltando no Brasil é política pública que pense nisso, mas não tem. É por isso que já tem quase dois anos que a agricultura familiar está ficando sem esperança”, lamenta Auri Junior, da Fretraf no Ceará.

Juros e assistência técnica

A falta de um maior fomento do Plano Safra 2021/2022 para a Agricultura Familiar e Camponesa e todo o contexto que gera a alta no preço dos alimentos têm provocado uma série de protestos por parte de entidades populares. É o caso, por exemplo, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf).