Professor Lothar Weise, coordenador regional do Sinte de Rio do Sul
Uma comissão mista, com representantes do Sindicado dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte/SC), vai se reunir com o governo estadual para iniciar um debate sobre melhorias no Plano de Carreira do Magistério Estadual. A reunião está marcada para esta terça-feira, 15.
O coordenador regional do Sinte de Rio do Sul, professor Lothar Weise, apresentou a proposta de composição da tabela salarial que o Sinte vai defender na reunião, que a categoria e a população em geral pode conferir. De acordo com o professor, sem a valorização da categoria muitos profissionais abandonam a profissão, trazendo sérios prejuízos à comunidade escolar e ao desenvolvimento de Santa Catarina.
A última atualização da tabela salarial do magistério público estadual foi de novembro de 2018, por meio da modificação da Lei Complementar nº 668, que rege o tema. De lá para cá, não houve nenhuma recomposição salarial que fizesse a tabela acompanhar a evolução do valor do Piso Nacional do Magistério. Considerando que o piso atualmente se encontra no valor de R$ 2.886,24, a defasagem linear na tabela salarial de nov/2018 já é de 12,79%.
Apenas atualizando os valores da tabela pelo novo piso e recompondo a defasagem de 12,79%, a nova tabela, considerando os níveis de referência, ficaria com os seguintes valores:
Atualização da tabela salarial de nov/2018 pelo Piso Mínimo Nacional: em valores (R$) 
                     A      B      C       D       E      F       G        H       I
Ensino médio I    2886,24 2886,24 2886,24 2886,24 2886,24 2886,24 2886,24 2886,24 2886,24
Licenc. Curta II  3137,07 3137,07 3137,07 3137,07 3137,07 3137,07 3137,07 3137,07 3137,07
Licenc. Plena III 3250,45 3473,19 3578,76 3686,05 3796,66 3989,19 4155,09 4313,82 4478,59
Especialização IV 3774,48 3911,97 4028,83 4149,29 4273,50 4401,56 4533,60 4706,78 4886,58
Mestrado V        4182,13 4360,77 4491,29 4625,81 4764,53 4907,57 5055,07 5248,16 5448,65
Doutorado VI      4638,46 4781,44 4924,35 5071,73 5223,68 5380,32 5541,85 5753,55 5973,34
Entretanto, esclarece o professor Lothar, a tabela nov/2018 não deve servir de base para a discussão da recomposição salarial da categoria. A tabela aprovada naquele momento não tem qualquer critério de valorização da carreira do magistério, sendo apenas uma forma de fazer o Estado cumprir o piso mínimo naquele momento (que já está defasado) por causa do achatamento da tabela.
Como exemplo da desvalorização da carreira que vigora na atual tabela salarial, um trabalhador que está no último nível referente à especialização recebe apenas R$ 18,30 se cursar um mestrado, ou ainda, a diferença entre o primeiro nível do mestrado e o primeiro nível do doutorado é de apenas R$ 397,96. Enquanto isso, a diferença entre o primeiro nível da licenciatura plena e da especialização é muito maior, na ordem de R$ 457,00. Isso ocorre porque o atual Plano de Carreira não possui uma estruturação, seus valores são aleatórios, logo, a carreira do magistério não é atrativa, não incentiva a permanência dos profissionais e a sua qualificação. Portanto, o atual Plano de Carreira, ao desvalorizar os profissionais da educação, prejudica a própria qualidade da educação pública em Santa catarina.
A falta de qualquer critério estruturado da tabela salarial aparece claramente quando analisamos os percentuais de evolução salarial nos níveis de referência, conforme abaixo:
Diferença percentual em relação à referência anterior - tabela de novembro de 2018
                      A    B    C    D    E    F    G   H   I
Ensino médio I      0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
Licenc. Curta II    8,69 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
Licenc. Plena III   3,61 6,85 3,04 3,00 3,00 5,07 4,16 3,82 3,82
Especialização IV  -15,72 3,64 2,99 2,99 2,99 3,00 3,00 3,82 3,82
Mestrado V         -14,42 4,27 2,99 3,00 3,00 3,00 3,01 3,82 3,82
Doutorado VI       -14,87 3,08 2,99 2,99 3,00 3,00 3,00 3,82 3,82
Estas anomalias do plano de carreira dos profissionais do magistério ocorrem porque desde a implementação do Piso Nacional os ganhos não foram aplicados sobre toda a carreira. Com isso, apenas os profissionais com menor formação perceberam os ganhos decorrentes de tal política.
Nova Política salarial proposta pelo Sinte
Afim de corrigir tais distorções, atrair os melhores profissionais, incentivar a permanência no magistério e valorizar a qualificação, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação propõe uma nova política salarial, baseada nas diretrizes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, que prevê no mínimo 50% de diferença salarial entre um especialista e um trabalhador com nível médio no primeiro nível; além de 100% de diferença salarial entre o primeiro nível do doutorado e o primeiro nível do ensino médio. A evolução da tabela seria, portanto, baseada em percentuais fixos, na ordem de 5,2% entre cada referência. Como política salarial, propõem-se uma tabela de índices fixos que tomem como base o Piso Nacional, sendo aplicado anualmente sobre a tabela.
O professor Lothar explica que essa discussão deve ser ampla, não só na comissão mista, mas em todos os espaços de discussão a fim de que a carreira seja atrativa e incentive a permanência de profissionais e valorize a sua qualificação.