Do primeiro caso às 250 mil mortes: Um ano de política genocida de Bolsonaro na pandemia

"Só Bolsonaro interditado pode reduzir nossa tragédia", afirma o deputado Alexandre Padilha

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“Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma tubaína” (Foto: Reprodução)

Por Luisa Fragão – RF / JAV

O Brasil completa nesta sexta-feira 26, um ano desde o primeiro caso de Covid-19 registrado no país. Apesar do tempo que se passou, a crise não apresenta sinais de melhora. Nesta quarta-feira (24), o Brasil registrou um dos dias com mais mortos pela doença.

Em um período de 24 horas morreram 1.428 brasileiros. Com os novos óbitos oficialmente notificados ao Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), o Brasil já ultrapassou 250 mil mortos por Covid-19.

Apesar do avanço descontrolado da doença, o presidente Jair Bolsonaro decidiu adotar uma postura negacionista desde o início da pandemia. O mandatário, por exemplo, ainda indica o uso de medicamentos para Covid-19 considerados, por estudos, ineficazes.

Ele também continua a provocar aglomerações, sem preocupação com o uso de máscaras. Em caso recente, reuniu-se com dezenas de prefeitos no Palácio do Planalto.

Enquanto isso, a campanha nacional de vacinação contra a Covid-19 teve início apenas no fim de janeiro e só 7,6 milhões de doses foram aplicadas, o que representa 3,82% da população acima de 18 anos.

“No mundo a lição é que só Sistemas Nacionais Públicos de saúde fortes podem ajudar a superar a pandemia atual e evitar próximas no futuro. No Brasil, só Bolsonaro interditado pode reduzir nossa tragédia”, disse o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) em entrevista à Fórum.

Como marco do um ano de pandemia no Brasil, a Fórum selecionou algumas das declarações mais polêmicas de Bolsonaro em relação à Covid-19. Confira:

Não vai ser ‘gripezinha’ que vai me derrubar

Durante entrevista coletiva realizada em 20 de março, três dias depois do Brasil ter registrado a sua primeira morte por Covid-19, o presidente deu a seguinte declaração: “Depois da facada, não vai ser gripezinha que vai me derrubar, não. Tá ok? Se o médico ou o Ministério da Saúde recomendar um novo exame, eu farei. Caso contrário me comportarei como qualquer um de vocês aqui presente”.

Histórico de atleta

Quatro dias depois do comentário sobre a “gripezinha”, Bolsonaro repetiu a expressão, em pronunciamento em rede nacional, falando que não sentiria os efeitos da doença por um suposto “histórico de atleta”.

Não sou coveiro

Questionado sobre as mortes do coronavírus no país, no dia 20 de abril, presidente respondeu que “não é coveiro”. Ele também afirmou que escolas militares poderiam voltar a funcionar na próxima semana.

E daí?

Cerca de uma semana depois, no dia 28 de abril, o Brasil registrava recorde de mortes em 24 horas, com 474 registros, ultrapassando a China em número de óbitos. Questionado sobre o número, o presidente respondeu:  “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

Quem é de esquerda toma Tubaína

Em live com o jornalista Magno Martins, em 20 de maio, o presidente mais uma vez debochou da pandemia que, na época, já matava mais de mil pessoas no país em 24 horas.

 “O que é a democracia? Você não quer? Você não faz. Você não é obrigado a tomar cloroquina”, disse. “Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma tubaína”, ironizou.

É o destino de todo mundo

Quando o país ultrapassava a marca dos 30 mil vítimas fatais da doença, Bolsonaro disse que a morte “é o destino de todo mundo”. O comentário foi feito no dia 2 de junho.

“A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo”, disse o presidente, após uma apoiador pedir que ele enviasse uma mensagem de conforto para as famílias em luto.

País de maricas

No início de novembro, o presidente voltou a minimizar os efeitos da pandemia. Durante evento no Palácio do Planalto, ele disse que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas”. Na época, a doença já havia matado mais de 162 mil pessoas no país.

Eu não vou tomar vacina

No dia 15 de dezembro, Bolsonaro repetiu que não tomaria a vacina contra a Covid-19. “Eu não vou tomar vacina e ponto final. Minha vida está em risco? O problema é meu”, disse.

Virar um jacaré

Em declaração feita no dia 17 de dezembro, o presidente criticou as regras impostas pela farmacêutica Pfizer para a compra de doses do imunizante produzida por ela. Em seguida, ele disse que pessoas podem “virar jacaré” se tomarem a vacina.

“Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema de você. Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver isso. O que é pior mexer no sistema imunológico das pessoas”, declarou o ex-capitão em discurso feito durante visita a Porto Seguro (BA).

Não dou bola para isso

No sábado 26, Bolsonaro voltou a minimizar a vacinação contra a Covid-19 durante entrevista dada à rede CNN Brasil. Além de culpar a Anvisa pela não aplicação de doses, o mandatário disse que não se importa com as campanhas de imunização que estão sendo realizadas no mundo.

“Ninguém me pressiona pra nada, eu não dou bola pra isso. É razão, razoabilidade, responsabilidade com o povo, você não pode aplicar qualquer coisa no povo”, disse o presidente ao ser questionado por repórter da CNN se o início da vacinação em outros países estaria pressionando o governo a agir.

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