(Charge O centrão quer)

Por Fernando Brito – Tijolaço / JAV

Como nada é impossível neste Congresso avassalado pelo apetite do ‘centrão’ e pela destruição dos partidos políticos, que mídia e Judiciário, com Sergio Moro de porta-bandeira, promoveram, não é impossível que se consume o golpe planejado para a quinta-feira: eliminar as vinculações de gastos obrigatórios do país em Saúde e Educação, sob a chantagem de que, de outra forma, não haveria como pagar o novo auxílio-emergencial por conta da pandemia.

Desvincular, claro, é um pleonasmo para cortar, reduzir, amputar despesas com as duas maiores prioridades da população. Verdade que está cinicamente expostas nas conversas do moribundo ministro da Economia, Paulo Guedes, registradas na coluna de Lauro Jardim, em O Globo: ”Guedes afirma que os R$ 25 bilhões mensais que o Tesouro gastará agora com o auxílio será compensado com as fartas economias que o governo fará no médio e longo prazos a partir da desvinculação”.

Imaginar que usar uma palavra “difícil” vá amenizar a crua realidade de que está sendo feito um corte brutal no ensino público e no Sistema Único de Saúde, que se mostrou a única ferramenta do país no enfrentamento ao novo coronavírus.

Não é irônico, é perverso que se estejam cortando recursos para a educação pública, precarizando ainda mais a educação dos pobres e, ao mesmo tempo, votando, em nome da “liberdade de escolha”, o tal homeschooling, que nada mais é a educação para quem pode pagar professores particulares, claro que bem afinados com ideias obscurantistas.

E não é perverso, é mórbido, que se faça o mesmo com as estruturas de saúde pública no instante em que dependemos dela para sobreviver, depois de quase 250 mil mortes que, com a carência crônica de vacinas, vão aumentar em quase 50% nos próximos três meses. 

O principal assunto em todos os jornais, a irritação do mercado financeiro com a intromissão de Jair Bolsonaro nas estatais, é um nada perto do que periga acontecer com o Orçamento. Não são centavos a mais no litro do diesel ou da gasolina, são leitos a menos, professores a menos.

Menos do que já é pouco.

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