Taxar ricos para financiar política social elevaria PIB em 2,4%, diz estudo da USP

Estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP apontou que a tributação do 1% mais rico pode ter um impacto positivo de 2,4% no PIB

0
65
Estudo aponta a necessidade de taxação dos ricos sem prejuízo fiscal (Foto: Agência Brasil)

Um estudo inédito realizado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP) apontou que a tributação do 1% mais rico, que garanta a transferência de R$ 125 por mês para os 30% mais pobres, pode ter um impacto positivo de 2,4% no Produto Interno Bruto (PIB). Analisando dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (POF do IBGE) de 2017-2018, os pesquisadores verificaram que os 10% mais pobres gastam 87% da sua renda em consumo e o 1% mais rico gasta 24%.

De acordo com a economista Laura Carvalho, professora da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo), “a redução da desigualdade tem benefícios em si”. “Sabemos que ela tem custos que não só têm a ver com o direito à renda e à dignidade humana, mas tem também efeitos políticos, pois a desigualdade tende a criar distorções no próprio sistema democrático”, disse. O relato foi publicado pelo portal Uol. 

“Então existem outros objetivos para reduzir a desigualdade, que não o crescimento econômico. Mas, muitas vezes, parece que no debate há um dilema entre crescer ou distribuir”, afirma a estudiosa, uma das autoras do estudo, ao lado de Rodrigo Toneto e Theo Ribas.

“Isso cada vez mais está se revelando uma coisa que não tem sustentação empírica, por isso resolvemos demonstrar com dados um dos mecanismos que mostra que é perfeitamente possível desenhar um programa que combine redução da desigualdade com aumento do ritmo de crescimento econômico. Porque esses objetivos não são contraditórios”. (247)

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui