O laboratório nacional União Química começa nesta semana produção de vacina para os países vizinhos (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Por Cida de Oliveira, da RBA / JAV

O Brasil sob o governo de Jair Bolsonaro pode se tornar um grande produtor de vacina contra a covid-19, mas para imunizar a população de outros países, em vez de a brasileira. O alerta foi feito nesta segunda-feira 11, pelo ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP).

“O governo não faz acordo para a compra, a Anvisa não acelera os trâmites para liberação emergencial, não solicita informações aos laboratórios. Há o risco de a vacina ser produzida no Brasil somente para ser exportada”, disse durante participação no programa Tertúlia, apresentado pelo jornalista Fábio Pannunzio na TV Democracia.

 A partir desta sexta-feira 15, um dos laboratórios da indústria farmacêutica brasileira União Química, situado em Brasília, deverá iniciar a produção da vacina Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia. As doses do imunizante serão exportadas para países da América Latina que já autorizaram o uso, como Argentina e Bolívia. A farmacêutica brasileira ainda aguarda liberação da Anvisa para testes da fase 3, que avalia a eficácia do imunizante.

Sem vacina

A vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Buntantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, já obteve autorização emergencial na Indonésia, país com mais de 267 milhões de habitantes – população superior à do Brasil, com cerca de 211 milhões.

Em fevereiro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deverá começar a produzir a vacina desenvolvida em parceria com o laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford, do Reino Unido – onde o imunizante já está sendo aplicado.   

“Não faz sentido não termos ainda, em janeiro, um plano de vacinação. E nem terminar o mês sem termos uma vacina disponível no Brasil”, criticou o ex-ministro. “Temos de ter um plano para até o começo do outono, para vacinar pelo menos 70, 80 milhões de brasileiros. E na chegada do inverno, vacinar o conjunto da população. Para isso precisamos ter disponíveis quatro, cinco vacinas, como nos outros países. A gente não pode dispensar nenhuma vacina segura e que tenha eficácia. Qualquer vacina que reduza em mais de 50% a infecção vai ter grande efeito para a saúde pública”.

É dose

Na manhã desta segunda-feira 11, o ministro da Saúde general Eduardo Pazuello se manteve evasivo quanto a um calendário para o início da vacinação no Brasil – motivo pelo qual vem sendo pressionado por governadores e prefeitos. Segundo ele, a imunização terá início “no dia D e na hora H”.

E chegou a defender a aplicação de apenas uma dose da vacina de Oxford, dobrando assim o número de brasileiros que receberiam o imunizante. Para o general, que não tem formação alguma na área de saúde, uma única dose garante proteção contra as complicações trazidas pela infecção pelo novo coronavírus.

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