General Santos Cruz e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

De Marcela Mattos na Veja. DCM/JAV

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Em entrevista a VEJA, Santos Cruz explica o motivo de ter se transformado em um dos principais críticos do presidente Bolsonaro. “Alguém tem de dizer: ‘Ei, para de falar bobagem e governa’ ”, explica. “Quando você tem problemas de desempenho, tem de substituir por um show. Mas você acha que o povo brasileiro vai aguentar quatro anos nesse ritmo? O pessoal já está por aqui, o povo cansa.” Para o general, o atual governo virou um “PT verde-amarelo” e instaurou o “comunismo de direita” no Brasil. “Todo regime comunista totalitário divide para facilitar a manipulação. Depois, você ataca pessoas, não ideias. É um assassinato de reputações: todas as pessoas de que você não gosta não prestam. Temos ainda o culto à personalidade: é o mito, o messias, o cara designado por Deus. Isso tudo é uma técnica que quem consagrou foi o sistema totalitário, foi o comunismo. É o contrário de democracia”, afirma.

As críticas pesadas do general não poupam os colegas de farda que hoje estão no governo. De acordo com o ex-ministro, não passa de desculpa esfarrapada o argumento de que os militares estão cumprindo uma “missão”, como costuma ser repetido entre os fardados do alto escalão. “Missão de quem? Divina? Há muitas distorções, não tem ninguém com missão nenhuma. Muita gente se encanta, né?”, cutuca o general. Autocrítica? Não. A entrada de Santos Cruz no governo teria seguido outra lógica. Ele conta que estava em Bangladesh quando foi convidado pelo presidente recém-eleito para integrar o governo. Acreditava que era um bom momento para mudanças. “Na campanha foi dito tudo o que o povo queria ouvir: não iria ter reeleição, iriam acabar com a corrupção e com o Centrão. Agora, o presidente está governando para a reeleição dele desde o primeiro dia, não tem nenhum plano de combate à corrupção e os cargos foram distribuídos para o Centrão administrar melhor o dinheiro público”, ironiza.

O discurso do general despertou o interesse de partidos políticos. Santos Cruz já foi sondado para se filiar a quatro legendas e há propostas para que ele se candidate ao Senado e até ao governo do Distrito Federal — neste momento, ele nega que vá entrar na política, mas não descarta os planos para o futuro. Ele também tem feito dobradinhas virtuais com o ex-ministro Sergio Moro, em quem aposta as fichas para presidente da República em 2022. Na última segunda-feira, 16, Moro elogiou o general. “(Santos Cruz) É muito mais corajoso do que aqueles que usam as redes para atacar de longe a honra de pessoas do bem e das Forças Armadas”. Após a publicação, o ex-ministro da Justiça foi alvo de xingamentos. O general dá de ombros: “O Bolsonaro, os filhos, os amiguinhos, essa turma da internet, são um bando de oportunistas que pode acabar criando um sentimento antidireita”, disse ele. A guerra de verdade ainda nem começou.

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