(Charge 89)

Pode isso 89

Xi Jinping, presidente da China, e o presidente Jair Bolsonaro usaram a cúpula dos Brics nesta terça-feira para trocar críticas veladas, inseridas em discursos diplomáticos.

Ao tomar a palavra no evento virtual organizado pela Rússia, o líder chinês defendeu ações ambientais e o Acordo de Paris, pediu a proteção ao multilateralismo e à ONU (Organização das Nações Unidas), citou indiretamente o acordo com o estado de São Paulo sobre vacinas e defendeu que, na crise da covid-19, a saúde seja prioridade. Xi não citou em nenhum momento o Brasil em seu discurso. Mas sua fala deixou claro a distância que existe entre Brasília e Pequim.

Já Bolsonaro, de seu lado, não fez qualquer referência ao multilateralismo ou à ONU e assumiu uma agenda defendida por Donald Trump contra a China.

O brasileiro deixou clara sua posição ao tocar em temas delicados para a China e alertar sobre os riscos de uma nova geopolítica internacional ganhar corpo num período pós-pandemia. No Itamaraty, o temor é de que a nova era seja marcada por uma forte influência de Pequim.

Não por acaso, Bolsonaro usou o discurso para indicar que o Brasil vai caminhar num sentido de evitar que tal influência se transforme em uma ameaça.

“A crise sanitária impôs grandes desafios à estabilidade internacional”, disse. “O Brasil lutará para que prevaleça em um mundo pós pandemia um sistema internacional pautado pela liberdade, pela transparência e segurança. Para que isso se concretize, é fundamental defender a democracia e defender as prerrogativas soberanas dos países”, disse.

Os termos são os mesmos que o governo de Trump se utiliza para criticar o Partido Comunista Chinês e sua suposta ameaça à ordem internacional. Bolsonaro CTRL C CTRL V. Complexo de vira-lata.

No embalo de Bolsonaro, Levy Fidelix, derrotado em SP, pede que TSE cancele resultado das eleições

Do UOL.

Candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo, Levy Fidelix (PRTB), protocolou na noite de ontem um pedido para que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cancele as eleições até que sejam esclarecidos os ataques cibernéticos aos sistemas da Justiça Eleitoral. Sem apresentar provas, Fidelix levantou dúvidas a respeito a idoneidade da votação em função da demora na divulgação dos resultados das eleições.

Presidente do PRTB, partido do vice-presidente Hamilton Mourão, Fidelix citou no documento que apuração teve “velocidade inferior” em comparação a outros anos.

Segundo o presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, o atraso foi provocado pela ausência de testes prévios no novo supercomputador responsável pela totalização dos votos no país, centralizada pela primeira vez no tribunal.

No dia da votação do primeiro turno os sistemas também foram alvos de ataques. Barroso afirmou que os ataques foram neutralizados e não tiveram qualquer interferência nas eleições. Ele acusou “milícias digitais” de se articularem para tentar desacreditar as instituições do país.

Além da lentidão na divulgação dos resultados, houve problemas nos aplicativos de e-título, mencionados por Fidelix na petição.

“Os graves fatos aqui narrados põem em sérias dúvidas a inviolabilidade do voto, a segurança das urnas eletrônicas e a lisura do pleito”, diz o presidente do PRTB.

Levy Fidelix teve 0,22% dos votos na eleição para a prefeitura paulistana.

Trump fazendo escola.

Carol Solberg disse que teve medo De andar na rua após falar “Fora Bolsonaro”

De Jamil Chade no UOL.

Nada havia sido programado. A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg voltava a uma competição depois de meses e, ao obter um bom resultado e subir ao pódio, daria uma entrevista sobre sua conquista. Mas, antes de concluir, suas angústias como cidadã explodiram na frase “Fora, Bolsonaro”. O desabafo acabou a tornando mais conhecida do que os seus resultados profissionais.

O que ela viveria nos dias seguintes parecia sair da realidade de uma democracia e de uma sociedade livre. “Senti na pele o medo”, afirmou Carol, que é filha de Isabel Salgado, ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei.

Sua iniciativa foi denunciada pela procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), abrindo uma polêmica: atletas podem ou não se manifestar politicamente. Em primeira instância, ela foi multada em R$ 10 mil. A punição foi transformada em advertência. Ainda assim, ela optou por recorrer, justamente para defender seus direitos.

Nesta semana, Carol foi absolvida pelo STJD. Em entrevista ao UOL, ela garante que o que vive hoje é apenas o início de um processo maior de debate sobre a liberdade de expressão e sobre o papel do atleta na sociedade. Ainda assim, o fato de não ter sido punida não significa que ela se sente hoje totalmente livre para voltar a se pronunciar.

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