O falido posto Ipiranga de Bolsonaro, Paulo Guedes (Foto: Divulgação)

Enquanto no Brasil os rumos da economia apontam para uma tragédia social de dimensões incalculáveis, os Estados Unidos, com a eleição de Joe Biden para a Presidência da República, debatem como salvar a sua economia. Aqui os devaneios de Paulo Guedes, o falido posto Ipiranga de Bolsonaro.

De acordo com economistas, a saída para o Brasil seria pela adoção de políticas ativas de estímulo à economia, acompanhadas de medidas setoriais que promovam o desenvolvimento sustentável com emprego. A expansão do crédito às micro, pequenas e médias empresas e, eventualmente, subsídio do Estado a parte do crédito, permitindo que os empréstimos sejam oferecidos com prazos longos e juros baixos. Os jovens são os mais atingidos pelos efeitos da crise.

A imobilidade da política econômica do governo Bolsonaro/Guedes agrava esse cenário. Como era previsto, um ano após a “reforma” da Previdência Social – a primeira panaceia apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, contra os efeitos da crise – não alterou a tendência de agravamento da crise desde a virada na diretriz da política econômica, quando a marcha golpe do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff se iniciou, ainda no final do seu mandato.

O castigo imposto aos trabalhadores contrasta com a conivência em relação aos devedores da Previdência, conforme denunciou o senador Paulo Paim (PT-RS), segundo o site Monitor Mercantil. Seu levantamento mostra que os maiores devedores do caixa da Previdência – como as empresas Vale do Rio Doce, JBS, Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco Bradesco, e alguns outros – deviam juntos, em 2015, de acordo com o Ministério da Fazenda, R$ 426,07 bilhões.

O economista Eduardo Fagnani, segundo o Monitor Mercantil, afirma que o governo Bolsonaro não deu nenhum passo e não vai dar para receber esses valores, mesmo com a dívida ativa (débitos com o governo) crescendo. “Os grandes devedores da Previdência são parte do problema da dívida ativa que já está na casa dos R$ 3 trilhões, o que equivale a 35% do Produto Interno Bruto, mas sem esforço de fiscalização essa dívida só vai crescer”, afirma. 

A dívida dos maiores devedores do INSS é três vezes maior do que a “economia” que o ministro Paulo Guedes diz que vai fazer em dez anos, na Previdência social, afirma o economista. “No Brasil, o sonegador é premiado por refinanciamentos. Ele não paga a Previdência porque espera refinanciamento em dez anos, mas paga somente seis meses, para e de novo vai tentar refinanciar”, diz Fagnani. A “reforma” da Previdência, afirma o economista, já demonstrou tudo aquilo que os seus críticos diziam: que ela afetaria apenas os mais pobres e vulneráveis.

Segundo ele, o INSS foi o sustentáculo das rendas das famílias mais pobres durante a pandemia de coronavírus. “Se pensarmos que 35 milhões de pessoas recebem pouco mais de um salário-mínimo, e se cada beneficiário sustentar três pessoas em sua casa, já são 90 milhões de pessoas sobrevivendo dos benefícios do INSS”, diz. “Quem não se aposentou em novembro do ano passado, já faz as contas e sente na pele porque a aposentadoria ficou mais longe, com regras mais duras e valores menores”, afirma.

Também na contramão da política de Bolsonaro e Guedes, Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central (BC) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), defende ações do Estado para dar condições mínimas de vida para as pessoas menos favorecidas. “Com exceção dos libertários adeptos do darwinismo social, ninguém discorda da necessidade de o governo sustentar a economia diante do extraordinário desafio que enfrentamos”, escreveu ele em artigo no jornal Folha de S. Paulo.

Arida não foge da sua tradicional matriz ideológica neoliberal, mas afirma que por razões humanitárias o governo deve gastar o que for necessário na saúde e na rede de sustentação dos mais necessitados. “Temos que evitar o desemprego em massa que decorreria de recuperações judiciais e falências, apoiando pequenas e médias empresas e setores específicos”, disse ele. (Com informações do Vermelho)

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui