Pobreza coloca a população em situação de ainda mais vulnerabilidade ante a pandemia de covid-19 (Marcello Casal/ABr)

Por Redação RBA – JAV 

Após 11 anos de redução continuada da pobreza nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, 85 milhões de brasileiros (os 40% mais pobres) tiveram perdas contínuas na renda nos últimos cinco anos, segundo estudo do Banco Mundial. Os dados mostram que, entre 2003 e 2014, o Brasil viveu uma fase de avanço econômico e social, com cerca de 25 milhões de pessoas deixando a pobreza e um aumento significativo da renda dos mais pobres. Porém, a partir de 2014, essa parcela da população tem sofrido perda constante em sua renda, ano a ano. Com isso, a desigualdade, que tinha chegado ao menor patamar da história em 2015, também voltou a subir.

Segundo o Banco Mundial, a parcela da população em situação de extrema pobreza no país era de 13,6% em 2001, caindo para 4,9% em 2013. Enquanto a renda média dos brasileiros, no geral, cresceu 4,4% entre 2003 e 2014, a renda dos 40% mais pobres cresceu 7,1%. Em consequência, o índice de Gini caiu de 0,581 para 0,515. O índice é um modelo matemático usado para medir o grau de concentração de renda. Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos e varia de zero a um. Quanto mais perto de zero, menor a desigualdade. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é a distribuição de renda do país.

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No entanto, o ano da reeleição de Dilma e o seguinte foram marcados por intensa instabilidade, que movimentou grupos de interesses econômicos e políticos com o objetivo de derrubar o governo petista – o que ocorreu em 2016. O período de instabilidade e os anos seguintes de governos pró-mercado (Michel Temer e Jair Bolsonaro) cobraram um preço alto para a população mais pobre.

Vulneráveis

Entre 2014 e 2019, a renda dos 40% mais pobres caiu, em média, 1,4% ao ano. Enquanto a renda média dos brasileiros cresceu 0,3% ao ano no mesmo período. Conforme o estudo, se os ganhos tivessem sido distribuídos igualmente entre a população, este ano teríamos 13 milhões de brasileiros a menos vivendo em pobreza (renda de R$ 499 ao mês) e 9 milhões a menos na pobreza extrema (renda de até R$ 178 por mês). O índice de Gini, que vinha caindo, voltou a subir, chegando a 0,547 em 2019.

Para Gabriel Lara Ibarra, economista sênior do Banco Mundial e especialista em pobreza no Brasil, essa situação está relacionada à mudança na política econômica do país nos últimos anos e o aumento da informalidade entre os trabalhadores mais pobres.

“O tipo de trabalho normalmente disponível para quem está na base da distribuição são os trabalhos informais, com menos proteção, mais voláteis. É diverso dos trabalhos disponíveis para as parcelas mais ricas e mais educadas, que têm acesso a empregos formais e mais conectados à economia, comparado a quando você é um autônomo que trabalha vendendo algo na informalidade”, afirmou, em entrevista ao portal DW Brasil.

A situação de aumento da pobreza no Brasil também é considerada o pior resultado da América Latina nos últimos cinco anos, segundo o Banco Mundial. Embora todos os países tenham sofrido crises econômicas desde 2011, o Brasil foi um dos únicos que teve piora em todos os índices. Honduras e Equador tiveram aumento de desigualdade. Argentina e Equador observaram aumento da pobreza. E Argentina, Equador e Honduras tiveram aumento da pobreza extrema.

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