Que tal uma geleia em vez do comprimido?

Minha sugestão para o seu café da manhã

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Frutas como blueberries, morangos e amoras, de coloração vermelho-escura, contêm antioxidantes chamados antocianinas, que têm efeitos anti-inflamatórios (Foto: Divulgação)

Por Dr. Victor Sorrentino, Médico e Palestrante /  JOLIVI / JAV

O que você imagina quando falamos em “doença”?

Talvez você se lembre daquela vez que ficou de cama, devido a uma forte gripe.

Pode ser ainda que você associe esta palavra ao seu momento de vida atual: a preocupação com a pressão arterial, as medições diárias de glicemia para acompanhar o diabetes, o medo da balança.

Uma coisa é fato: estar doente afeta tanto o aspecto físico, diminuindo a qualidade de vida, como também o emocional.

Nessa grande investigação sobre o que é a doença, não podemos deixar de falar dela, aquela que considero a “mãe de todas”.

Se você pensou em genética, está errado. Estou falando da inflamação, um sistema do nosso corpo destinado a aniquilar nossos inimigos, mas que por vezes pode se voltar contra nós mesmos. Ela é o interruptor que, quando permanece em atividade além do que deveria, pode desencadear algumas das doenças crônicas mais comuns da atualidade, como hipertensão, obesidade, Alzheimer…

Por isso, é muito comum que a doença, seja ela qual for, apresente marcadores inflamatórios em alta nos bastidores. Não se trata de dizer que a inflamação nunca é bem-vinda. Ela faz, sim, parte do nosso sistema de defesa.

O problema surge quando o interruptor não desliga, o que te mantém inflamado o tempo todo. Nesse caso, sem que você se dê conta, as doenças começarão a surgir.

A inflamação e o seu coração

Veja só uma prova do alto preço que se paga quando a inflamação crônica toma conta do organismo.

Um estudo publicado no Hearth Rythm acompanhou 11.188 participantes por 17 anos. O objetivo era avaliar a relação entre citocinas inflamatórias no sangue e a presença de eventos cardiovasculares.

A conclusão dos pesquisadores, ao fim deste experimento, foi a de que o aumento da proteína C-reativa, uma citocina pró-inflamatória, tinha, de fato, relação com morte cardíaca súbita.

A boa notícia é que, ao assumir o papel de protagonista da sua própria saúde, é possível desligar a inflamação crônica.

Prefere uma geleia ou um comprimido?

Você, que acompanha o meu trabalho, sabe que não acredito em soluções milagrosas e pontuais para a cura de um problema. Vale o mesmo para a inflamação crônica.

Para atenuar essa condição, é preciso investir em diferentes fatores: mudança alimentar, priorizando boas fontes de proteína e gorduras; redução de ultraprocessados; sono reparador; manejo do estresse; atividade física; e por aí vai.

Mas tem algo muito interessante – e saboroso – que você pode trazer para os seus cafés da manhã e que ajuda a combater a inflamação silenciosa: frutas vermelhas.

Frutas como blueberries, morangos e amoras, de coloração vermelho-escura, contêm antioxidantes chamados antocianinas. Esses compostos têm efeitos anti-inflamatórios que podem reduzir o risco de doenças engatilhadas pela inflamação crônica. 

O nosso corpo produz células assassinas naturais (células NK) que ajudam a manter o sistema imunológico funcionando corretamente.

Em um estudo em homens, conduzido pela Appalachian State University, aqueles que consumiram blueberries todos os dias produziram significativamente mais células NK do que aqueles que não consumiram.

Em outro estudo, dessa vez da University of California-Davis, adultos com excesso de peso que ingeriram morangos apresentaram níveis mais baixos de certos marcadores inflamatórios associados a doenças cardíacas.

Como faço questão de reforçar, frutas vermelhas não são uma solução mágica, e sim um REFORÇO para silenciar a inflamação, junto a outras mudanças de estilo de vida.

Por ora, coma morangos e mirtilos (orgânicos, por favor ), in natura ou na geleia sem açúcar, e sinta os benefícios dia após dia. (Jolivi)

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