(Caricatura)

O correspondente internacional Jamil Chade faz, nesta segunda-feira 7, revelação importante, sobre um dos momentos mais vexatórios da história do Brasil. Em cartas enviadas à Organização das Nações Unidas, o governo brasileiro classifica a apologia que Jair Bolsonaro faz de torturadores como “liberdade de opinião”.

“Os documentos, enviados entre Genebra e Brasília entre junho e agosto, apontam para denúncias contra o comportamento de Bolsonaro. Mas a resposta do governo é de que o presidente tem o direito a ter sua ´opinião´ sobre os acontecimentos passados”, aponta Chade, em sua reportagem.

Segundo os peritos, as leis internacionais não lhe conferem tal direito ter sua “opinião” e listam os episódios em que Bolsonaro fez comentários contra os direitos humanos:

– Em 30 de julho de 2019, Bolsonaro criticou o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que em 2014 concluiu que a ditadura foi responsável por 434 assassinatos.

– Em 1º de agosto de 2019, o governo alterou a composição da Comissão Especial sobre Mortes e Desaparecimentos Políticos.

– Em 8 de agosto de 2019, Bolsonaro chamou Carlos Alberto Brilhante Ustra de “herói nacional”. 

– Em 1º de março de 2020, Bolsonaro afirmou que “a alegação de tortura é um esquema para obter indenizações”.

– Em 31 de março, no aniversário do golpe militar, Bolsonaro afirmou novamente que não havia havido um golpe de Estado no Brasil em 1964 e declarou que este era o “Dia da Liberdade”. 

Jamil Chade obteve ainda uma carta do governo brasileiro de 26 de agosto deste ano. “O governo brasileiro considera injustificáveis as alegações encaminhadas e até mesmo o fato de os distintos relatores questionarem o chefe de estado do Brasil por suas decisões que estão totalmente dentro do escopo de suas atribuições legais”, aponta o texto que defende a “liberdade de opinião de Bolsonaro”.

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