(Charge)

POR FERNANDO BRITO · Tijolaço – JAV

O amarelo é brilhante e fascina logo os ambiciosos que não sabem identificar sua natureza: a pirita, ou “ouro de tolo”, está, a esta altura, refulgindo nos olhos de Jair Bolsonaro com o ganho de popularidade que lhe aponta o Datafolha.

Ontem ainda, antes dos resultados, debati sobre o assunto com o professor Pierre Lucena, da Universidade Federal de Pernambuco, mostrando como é fugaz e será frustrante o brilho dos relativamente poucos pontos que Jair Bolsonaro de crescimento em seus índices de aprovação.

Distribuindo R$ 600 a dezenas de milhões de pessoas que estão no desespero, sem trabalho e sem renda, é, francamente, até pouco.

Claro, o povão está na dele e não há nada de errado em que, neste momento, cresçam algumas simpatias para o governo que faz isso.

O problema é que ninguém, nem o próprio Jair Bolsonaro, acredita que que isso pode se prolongar indefinidamente.

“O auxílio emergencial custa R$ 50 bilhões por mês, e tem gente que demagogicamente acha que ele tem que ser prorrogado indefinidamente”, declarou na sua live semanal, nesta quinta-feira 13.

Pois é, se não vai ser prorrogado, ou será retirado ou será reduzido em valor e restringido em alcance e cairemos na dura realidade de uma profunda recessão, global e local, que não proverá a população de sua principal fonte de renda: o trabalho.

Não se espere, portanto, efeitos de longo prazo desta situação. Com medidas muito mais sofisticadas que essa, José Sarney, com seu Cruzado e, em menor escala, Fernando Henrique Cardoso e seu real “um por um” com o dólar, transitaram em pouco tempo – verdade que com eleições no meio – da glória à maldição entre os pobres.

É verdade que isso assusta os inexperientes – que não viram isso acontecer – e os que acham que os sentimentos profundos se confundem com as águas agitadas de uma ventania.

O fato, real, é que nosso país está em ruínas, esta é uma terra arrasada, queimada, onde a crise econômica não irriga, mas resseca, todas as atividades humanas.

Um país que não tem rumo – porque o precipício é algo que não se pode mostrar como destino – não progride e o que temos hoje não é um governo que construa, que edifique, mas uma máquina de destruição insaciável.

Como na Saudosa Maloca de Adoniran Barbosa, estamos a “apreciar a demolição”.

O que virá em seguida vai mostrar que o ouro de Bolsonaro é de tolo e para tolos.

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