Números e fantasias em torno do Datafolha

“A mais recente pesquisa do Datafolha pode até animar vozes à espera de qualquer pretexto para enfraquecer a oposição a Bolsonaro, mas há pelo menos cinco razões para acautelar-se” 

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Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 12/08/2020 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Por Paulo Moreira Leira, do Jornalistas pela Democracia / 247 / JAV 

 1. Na soma geral, Bolsonaro foi avaliado como “bom e ótimo” por 37% da população. Recebeu “ruim e péssimo” de 34%. Uma diferença irrisória, quando se recorda que a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos, para cima ou para baixo.

  1. Bolsonaro segue um dos piores presidentes desde a democratização. Após 18 meses de mandato, sua avaliação só é um pouco menos ruim que a de Fernando Collor — aquele que tungou a poupança e foi expulso do Planalto dois anos depois da posse.
  1. A credibilidade de Bolsonaro resume-se a uma matemática simples. Para cada cidadão que acredita na palavra do presidente, dois dizem que nunca fala a verdade: 22% contra 41%, segundo o Datafolha.
  1. O único setor social onde Bolsonaro consegue um apoio superior a 50% é aquele com menor peso social: entre empresários, onde 58% aprovam o governo. Um dado preocupante para Bolsonaro, quando se recorda ali nasceu a debandada de vozes neoliberais que deixaram (e ameaçam deixar) o governo.
  1. O modesto movimento a favor da avaliação de Bolsonaro tem origem no benefício emergencial de 600 reais. Prevista para terminar em setembro, a medida foi iniciativa dos partidos de oposição, em particular do PT, PSOL, PCdoB.

A proposta do bolsonarismo era de 200 reais, demonstração definitiva da falta de compromissos deste com o bem-estar da população, fantasia improvisada que o Planalto tenta vestir num esforço 2022.

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