Super Guedes está sendo rifado? (Charge Internet)

Por Luis Nassif / GGN / JAV

Vamos tentar estimar o cenário econômico sob Jair Bolsonaro. O primeiro passo é o diagnóstico sobre o comportamento da indústria regional, de acordo com os dados de junho divulgados na Pesquisa Mensal da Indústria do IBGE, Os resultados são ilusoriamente otimistas.

Em relação ao mês anterior, celebrou-se o crescimento em 13 estados e queda em apenas 1 – Mato Grosso. Porém, se comparar o nível de junho com janeiro, haverá 13 estados em queda e apenas 1 em alta – Goiás. E se a comparação for com 12 meses atrás, também apenas Goiás mostrou aumento.

Repare que as menores quedas, desde janeiro ocorrem em estados com preponderância da indústria extrativa, como Goiás (+3,2%), Mato Grosso (-1%), Pernambuco (-1,3%), Pará (-2,7%) e Minas Gerais (-4,7%).

Nos indicadores nacionais, fica nítida a queda da indústria de transformação e a resistência da indústria extrativa, beneficiada pelo aumento das importações chinesas.

A indústria extrativa tem pouco impacto na economia como um todo, por dispor de uma rede de fornecedores extremamente restrita. Além disso, gera pouco emprego.

O segundo ponto são os efeitos da renda básica sobre a economia e sobre a popularidade de Bolsonaro. Embora a decisão de R$ 600,00 tenha sido da Câmara, Bolsonaro está colhendo os frutos. À renda básica está sendo atribuído o mérito de ter impedido uma queda maior na economia; e uma queda maior na popularidade de Bolsonaro.

Nas discussões internas do governo, o dogmatismo cego de Paulo Guedes matava qualquer tentativa de mobilização econômica. Prova disso foi a reunião ministerial do dia 22 de abril, com Guedes humilhando os generais de Bolsonaro pela tentativa de lançar o plano Pró Brasil.

Agora, a Câmara quebrou o dogmatismo cego de Guedes e reforçou enormemente os argumentos de Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, ao lado de Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, um sopro de racionalidade no jardim zoológico do Ministério de Bolsonaro.

Nesta terça-feira 11, a demissão do Ministro da Privatização, Salim Mattar, e de Paulo Uebel, responsável pelos estudos de reforma administrativa, pediram demissão, sinalizando a debandada da equipe de Paulo Guedes. Antes deles, já havia saído Mansueto de Almeida, que seguiu para o Banco Pactual para administrar a carteira de créditos que o Banco do Brasil transferiu para lá, com inacreditáveis 90% de deságio.

Completa-se, assim, o aggiornamento de Bolsonaro, ao custo de 100 mil mortes pelo Covid-19.

Do desenho inicial, abriu mão do falso discurso moralista de Sérgio Moro, está se afastando cada vez mais dos olavistas, aproximou-se do Centrão, atraindo, agora, Michel Temer, abriu mão do discurso anti-ambientalista, está rifando Paulo Guedes e até se solidarizou com um motoboy negro agredido pela polícia.

Mas, por trás desse novo Bolsonaro, o verdadeiro Bolsonaro continua firme como uma rocha, ampliando a radicalização das polícias, através do WhatsApp, ampliando o armamento da população e esperando reunir condições para tentar o ataque final contra as instituições.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui