Ministro contesta Bolsonaro e Guedes e defende mais gastos públicos

Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, criticou a política de austeridade fiscal de Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, e defendeu o aumento dos gastos públicos para alavancar o crescimento. "Parece que temos uma faca cravada no olho e estamos preocupados com o cisco”, disse

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Rogério Marinho, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr | Reuters)

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, contestou a política de austeridade fiscal e de contenção de gastos do governo Jair Bolsonaro, implementada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo Marinho, é preciso aumentar os gastos públicos em infraestrutura para acelerar a recuperação econômica. “Parece que temos uma faca cravada no olho e estamos preocupados com o cisco”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

Segundo o titular da pasta, o aumento dos gastos evitaria a paralisação de obras de infraestrutura no Norte e Nordeste do Brasil. “Temos obras hídricas importantes, como a transposição do São Francisco, de adutoras que estão sendo construídas nos diversos estados do Nordeste, do Centro-Oeste, do Norte e obras de saneamento básico por todo o país. Então, esses recursos precisam ser suplementados”, destacou. As duas regiões vêm recebendo uma maior atenção por parte de Jair Bolsonaro que tenta ampliar sua base eleitoral visando a reeleição em 2022.

“Nós pleiteamos e, certamente, o Ministério da Economia vai buscar uma alternativa para que as obras não sejam paralisadas e possamos evitar um prejuízo para milhões de brasileiros”, completou Marinho. A Região Nordeste é onde Bolsonaro registra o mais alto índice de rejeição por parte dos eleitores.

O ministro, porém, admite que a atenção ao Norte e Nordeste possui um “viés político”. “Qualquer ação do presidente tem viés político. Ele é o principal mandatário do país e o fato de ele emitir qualquer opinião tem repercussão de imediato. Qualquer ato, gesto ou ação. Ele é uma pessoa pública. Ele está simplesmente dando visibilidade ao que o governo federal já faz. A nossa maior dificuldade é conseguir comunicar isso à sociedade”, ressaltou.

Para Marinho, o aumento dos gastos em obras hídricas e de saneamento teriam pouco impacto junto ao déficit fiscal deste ano, que deve ser de cerca de R$ 800 bilhões. “Vou repetir, nós vamos ter um déficit de R$ 800 bilhões neste ano. Estamos falando de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões de acréscimo no fiscal. Parece que temos uma faca cravada no olho e estamos preocupados com o cisco”, disse.

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