Cédula de R$ 200 é mais uma cloroquina da era Bolsonaro 

Nova cédula começa a circular no final de agosto e teve lançamento aprovado pelo Conselho Monetário Nacional

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Por Moisés Mendes – DCM – JAV

A pergunta de quem tem e de quem não tem dinheiro é esta: qual é objetivo do Banco Central ao lançar uma cédula de R$ 200 agora, se parece algo completamente sem sentido e inútil?

Meu amigo José Paulo Kupfer, analista de economia do UOL, escreveu sobre o anúncio misterioso da nova cédula e abordou uma das dúvidas que surgem. A nota de R$ 200 não vai facilitar a vida das quadrilhas de lavagem de dinheiro?

E aí, a partir da questão levantada pelo Kupfer, pensei o seguinte, sempre tentando dar sentido prático a coisas aparentemente esdrúxulas.

E foi nisso que pensei e ofereço como exemplo. Geddel Vieira Lima guardava R$ 51 milhões em dinheiro vivo em oito malas e seis caixas de papelão num apartamento em Salvador.

Claro que quase todas as notas eram de R$ 100. Com a nova cédula, Geddel precisaria apenas de quatro malas e três caixas de papelão para guardar o roubo. Parece pouco, mas já é uma economia.

É provável também que a cédula de R$ 200 facilitasse a vida do pessoal das rachadinhas, reduzindo à metade o volume de dinheiro nos envelopes que entregavam ao Queiroz.

Mas as rachadinhas e as malas de Geddel são do passado. O dinheiro novo do Banco Central da Era Bolsonaro é para o futuro.

Tentem pensar em vantagens para o povo. O auxílio emergencial seria pago com apenas três notas. Mas qual seria o benefício?

Tudo que acontece nesse governo é perturbador e suspeito. Mesmo que digam que o BC tem autonomia para imprimir e rasgar dinheiro, em tempos normais esse dinheiro seria impresso assim, sem explicação?

Quem precisa de R$ 200 numa hora dessas? O povo está cada vez mais pobre, catando moedas, desempregado e em completo desalento, e eles criam uma cédula mais ‘forte’, como se o brasileiro estivesse ficando rico.

Pra quem é essa cédula de R$ 200, que ficará marcada como o dinheiro da pandemia? O que há por trás dessa história da nota com a figura do lobo-guará, sempre ameaçado de extinção, se o que esse governo mais faz é destruir o meio ambiente, os bichos e os povos da floresta?

Bolsonaro pode ter feito a encomenda ao BC para ficar na História como o sujeito que, apesar de valer uma cédula de R$ 3, criou o dinheiro mais valioso do Brasil. É o que pode estar na cabeça dele.

Vão queimar dinheiro para imprimir dinheiro novo. A nota de R$ 200 parece ser a cloroquina do Banco Central, com uma vantagem. Não serve pra nada no meio de uma pandemia, mas pelo menos não mata. A cédula de R$ 200 nasce condenada a ser o dinheiro da morte da Era Bolsonaro.

Banco Central anuncia nota de R$ 200. Lobo-guará será a estampa

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou nesta quarta-feira (28) que aprovou a criação de uma cédula no valor de duzentos reais. A nova nota de dinheiro brasileiro será ilustrada com o lobo-guará e entrará em circulação, segundo o CMN, no final de agosto. A previsão do Banco Central (BC) é que sejam impressas 450 milhões de cédulas ainda neste ano.

Também hoje, o BC informou que o total do chamado Papel Moeda em Poder do Público (PMPP) saltou 28,9%, de R$ 210,227 bilhões para R$ 270,899 bilhões, entre fevereiro e junho. Este é o maior valor da série histórica, iniciada em dezembro de 2001.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, o aumento do PMPP nos últimos meses foi causado pela demanda da população com a liberação do auxílio emergencial mensal de R$ 600 pelo governo, como forma de combater os impactos da pandemia de coronavírus.

Ainda segundo o BC, o lobo-guará foi a estampa escolhida para a nova cédula por se tratar de um animal em risco de extinção. No Brasil, ele é um animal típico do cerrado, mas pode ser encontrado em regiões de Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru e Uruguai.

Com o início da circulação das notas de R$ 200, o BC planeja uma campanha com o objetivo de anunciar a novidade e mostrar à população a necessidade de atenção aos elementos de segurança. “A nota terá elementos robustos o bastante para protegê-la de falsificações”, afirmou a diretora de administração da instituição, Carolina de Assis Barros.

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