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POR FERNANDO BRITO · Tijolaço – JAV

A Folha publica uma análise em que o rompimento do MDB e do DEM com o “centrão” seria um passo para a viabilização da candidatura de João Doria Jr. à presidência.

É claro que o fato de Jair Bolsonaro, aparentemente, ter perdido a chance de exercer algum controle sobre a pauta do Legislativo é ruim para suas pretensões de continuidade, sobretudo diante da certeza de uma profunda e longa crise econômica.

Mas não há pesquisa, por imprecisas que sejam tão afastadas das eleições, que injetam qualquer esperança para um nome alternativo de direita.

Nem Sérgio Moro, entronizado como santo justiceiro durante tantos anos e tantas vozes, ao ponto de nem sequer poder criticar suas decisões sob pena de ser chamado de “defensor de corruptos” consegue chegar perto do controle absoluto que Bolsonaro exerce neste campo.

Os moristas, em boa parte, viraram bolsonaristas e não parece que venham a deixar de sê-lo, porque o que lhes atraía em Moro não era, afinal, o “anticorrupção”, mas o emprego do autoritarismo e a obtusidade sectária do cargo, algo que Bolsonaro tem e ele não mais.

Luciano Huck gastou-se na “ameaça” de candidatura e perdeu o charme de novidade que podia ostentar tempos atrás.

Dória não passa, em nenhum levantamento, de 4 ou 5%, o que não o deixa em situação muito diferente da que viveu Geraldo Alckmin em sua última aventura como candidato. Bolsonaro atingiu em cheio seu eleitorado paulista e sua capacidade de inspirar confiança (e alianças) entre as forças políticas é próxima de zero, pelo mata-pau que se revelou para os figurões do tucanato.

Mandetta, que deve à estupidez de Bolsonaro o milagre de ter deixado de ser um ministro da Saúde apenas mediano e ganho simpatia pelo que teve de suportar estreou no cenário sucessório com perto de 5% – muito para quem era um desconhecido há seis meses e pouco para quem poderia surgir em meio à pandemia mortal que atravessamos.

Na esquerda, Ciro está onde estava – nos 10% ou pouco menos – e repete a estratégia de oferecer-se como o antipetista, acumulando desconfianças dos dois lados do espectro político e, portanto, não crescendo para nenhum deles. A plataforma nacionalista faz a direita torcer o nariz e o contínuos ataques a Lula gera caretas na esquerda.

Flávio Dino e Guilherme Boulos parecem ainda de calças curtas no jogo de gente grande.

Por mais que se fale em “renovação” na esquerda, não existe hoje uma alternativa viável a Lula se este não continuar impedido de se candidatar por questões judiciais. Do contrário, a alternativa Haddad é quase obrigatória para o PT, por trazer o recall do enfrentamento com Jair Bolsonaro.

Pois, salvo alguma intercorrência política imprevisível – e estamos cheios de imprevisibilidades neste governo de desgraças e escândalos – a eleição de 2020 vai se tornar plebiscitária: ele, sim ou ele, não.

E o centro direita terá de escolher o lado.

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