Bolsonaro segue menosprezando a morte diária de milhares de brasileiros e agora veta a obrigatoriedade do uso de máscaras em diversos locais públicos, ampliando o risco de contágio e o descontrole da pandemia (Foto: Divulgação/Internet)

Por Eduardo Maretti, da RBA – JAV

A infectologista Raquel Stucchi, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz estar “chocada” com a medida do presidente Jair Bolsonaro, que nesta sexta-feira 3, sancionou a lei de uso obrigatório de máscaras em espaços públicos, mas vetou a obrigatoriedade em estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos, instituições de ensino e  outros locais.

“É mais um desserviço total que ele faz. Coloca em xeque a ciência e vai expor as pessoas que veem nele alguém a ser seguido a um risco maior de adoecimento”, diz Raquel. Para a cientista, a resolução de Bolsonaro é injustificável e incentiva “um descontrole maior da transmissão, de casos e de óbitos no Brasil. É uma vergonha”, acrescenta. “É um horror isso, estou chocada.”

 “Nós podemos ter opiniões pessoais, mas o que temos que fazer enquanto pessoas que representam a ciência ou a nação é ter uma opinião condizente com o que se sabe de verdade científica. Ele tem uma opinião pessoal contra, mas não podia colocar toda a população a se expor dessa forma”, diz Raquel.

A infectologista acredita que alguém ou alguma instituição tem que tentar interferir nessa medida, do ponto de vista judicial. Em função da nova situação, ela acredita que a responsabilidade das pessoas que acreditam na ciência aumenta. “Agora, temos que ser mais enfáticos ainda na responsabilidade que cada um tem com sua saúde e com a saúde da comunidade”, defende.

“E essa responsabilidade inclui o uso de máscaras. Está mais do que provado pela ciência que é de fato efetivo, assim como a higienização das mãos e o distanciamento social. Mas alguns autores mais recentemente acham até que o uso de máscaras obrigatório é até mais efetivo do que qualquer outra forma de isolamento.”

Deputados de oposição manifestaram indignação com a atitude do chefe de Estado. “Nós vamos anular essa decisão criminosa no Congresso!”, escreveu no Twitter o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ).

“O veto de Bolsonaro ao uso obrigatório de máscaras em comércio e escolas é um absurdo. Um presidente que atua pela morte, contra a saúde pública”, disse a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), que é médica. “O único presidente no mundo parceiro do vírus”, acrescentou.

Bolsonaro “está condenando os brasileiros à morte”, afirmou Freixo. O parlamentar observa que ele não só “cancelou” a obrigatoriedade do uso de máscara em locais públicos como “retirou o dever do poder público de fornecê-la aos mais pobres”.

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