Ao contrário de Bolsonaro, 83% dos brasileiros temem contaminação pelo coronavírus (Foto: Isac Nóbrega/PR | Guilherme Gandolfi)

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia – JAV

Olha, não é por nada, não, mas, depois de suas declarações de ontem, não sei se o presidente Bolsonaro vai durar mais que o coronavírus. Ou ele acaba com a epidemia ou a epidemia acaba com ele. E, pelo jeito, tudo o que ele faz e diz leva a crer que a crise será mais longa e mais profunda do que parecia.

É uma ironia do destino a história reservar ao presidente mais despreparado de todos os tempos o maior pepino dos últimos 100 anos. O que consola um pouco é que a cada burrice que comete perde mais aliados e fica cada vez mais parecido com uma ilha deserta cercada de críticos por todos os lados.

Imagino a cara do ministro da Saúde ouvindo Bolsonaro desautorizar todas as orientações preventivas que ele vinha dando. Ao longo dos últimos dias Luiz Henrique Mandetta vinha passando imagem de serenidade, competência etc e tal, como mostram as pesquisas. Espero que a conserve quando os jornalistas perguntarem, na próxima coletiva, se a população deve confiar nele ou em Bolsonaro.

O que ele vai responder? Se disser a verdade, perde o emprego; se mentir, perde a moral.  Porque os dois falam línguas totalmente diferentes.

Bolsonaro avançou tanto o sinal vermelho que nem seu fervoroso aliado, o governador Ronaldo Caiado, aguentou a dose. Rompeu publicamente com ele.

A ala militar – Fernando Azevedo, Luiz Eduardo Ramos e Braga Netto – ainda não rompeu, mas não gostou do discurso, que foi escrito a quatro mãos, por Bolsonaro e pelo general Augusto Heleno, recém-saído da quarentena.

E aí Bolsonaro resolveu subir o tom com o Dória. E aí também só tem a perder porque o governador está fazendo a lição de casa. E consegue manter a serenidade sem transmitir pânico. Está na dele.

Sem se dar conta do que dizia, o próprio Bolsonaro abriu que se trata de guerra sobre 2022. Trouxe Dória para o ringue. Na comparação entre um e outro, o governador leva a melhor.

Bolsonaro também levou pito da Organização Mundial da Saúde, ampliando a fama de pior líder do mundo no combate à epidemia.

Os estragos que proporcionou, em apenas alguns minutos, aos brasileiros, à humanidade, ao seu próprio governo foram colossais. Aquele velho adágio – “ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil” – ganha uma nova versão:

“Ou Bolsonaro acaba com o vírus ou o vírus acaba com Bolsonaro”.

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