Um governo que não sabe o que fazer da crise

POR FERNANDO BRITO · Tijolaço - JAV

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Seu egocentrismo leva-o a situações ridículas, como a de postar, na noite destra quarta-feira 18, que “não vai abandonar o povo brasileiro”. Ridículo... Acabou! (Foto: Reprodução)

Nada é mais adequado a uma situação de crise do que ser realista. E muitos não estão sendo.

Não é possível discutir crescimento do PIB, porque isto não haverá, o que está em pauta é apenas é o quanto e como ele irá encolher.

Sim, é preciso tomar medias emergenciais duras, mas é igualmente necessário planejar o que fazer com o saldo de milhões de desempregados e empobrecidos que remanescerá desta crise.

Roosevelt, nos anos 30, fez de seu New Deal a forma de absorver os milhões de norte-americanos desempregados pelo crash da Bolsa, em 1929. Estradas, represas, ferrovias, tudo o que exigisse uso intensivo o trabalho humano passou a ser prioridade.

Até agora não se ouviu falar de planos – e levam meses para saírem do papel – de retomada das milhares de obras públicas paralisadas, que estão à intempérie. Temos os recursos: nossas reservas cambiais, que não podem ser torradas, como estão sendo, na missão impossível de deter o dólar.

É mais do que urgente que se forme um fundo com parte delas para financiar atividades que gerem emprego e não deixar que se esvaiam para “salvar o mercado”. Não se pode evitar que empregos se percam, mas é possível e necessário fazer com que se criem outros.

As medidas emergenciais de alívio mais eficazes são as que desonerem as famílias mais modestas: suspensão, a fundo perdido, das contas de água, energia elétrica e telefonia, até um determinado valor. Pode-se até gravar as contas residenciais de alto consumo, como forma de subsidiar as isenções, em parte.

“Quem tem, põe, quem não tem, tira”, como no bordão do velho personagem de Jô Soares.

Outra coisa inadmissível é que o governo suspenda, como fez, o atendimento do INSS por 15 dias, aumentando ainda mais a fila de milhões de pessoas que esperam por suas aposentadorias. São pessoas mais velhas – grupo de risco – e em geral modestas (90% até dois salários mínimos) que permanecem sem renda e, agora, sem emprego.

Tenho sérias dúvidas de que essa anunciada distribuição de vouchers de R$ 200, anunciada pelo governo federal, vá ser implantada e que seja eficaz. Exigiria cadastramento e controle, o que é impraticável nas condições de hoje.

Liberar dinheiro para os bancos emprestarem (ou não) pelos seus próprios critérios é outra temeridade. É óbvio que a inadimplência irá saltar e, com isso, o custo do dinheiro, já caro para tomador de crédito, ficará maior. Há uma ferramenta pronta, apesar e tudo o que se fez contra ela, que é o BNDES, que tem um longo e produtivo relacionamento com a pequenas e média empresas, maiores vítimas desta crise.

Há muita coisa a fazer no campo da economia fora do mundo financeiro, que se abala mas não é a raiz da crise, que está na economia real, de bens e serviços que deixam de ser produzidos e consumidos.

Há o que fazer – e isso se afigura impossível – na criação de um ambiente de cooperação ao qual Jair Bolsonaro mostra ser geneticamente avesso.

Por mais que esteja evidente que a sua postura belicista e irresponsável o esteja desgastando, faz parte de sua natureza e limitação mental.

Seu egocentrismo leva-o a situações ridículas, como a de postar, na noite destra quarta-feira 18, que “não vai abandonar o povo brasileiro”.

Há muita gente que acha que isso seria, agora, o melhor que ele poderia fazer.

  1. Desculpem se não falo em Paulo Guedes. Este ficou reduzido ao seu tamanho real: inútil, incapaz, insensível e incompetente.

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