Não, Bolsonaro, não queremos ser ‘normais’ como você

POR FERNANDO BRITO – Tijolaço - JAV

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O senhor tem razão, senhor Presidente, nós da esquerda, não somos normais, se o “normal” é, para o você ser como você mesmo é.

Não achamos que as pessoas não devem ter direitos.

Nem que quase 12 milhões e brasileiros desempregados e dezenas de milhares que estão nas ruas sejam “vagabundos”.

Nem que os que têm emprego devam trabalhar 40 anos para ter uma aposentadoria sem tantas perdas.

Muito menos achamos certo alguém se aposentar aos 33 anos, como o senhor acha.

Não achamos que se deve sonegar tudo o que se puder, nem que se tenha de “matar uns 30 mil” brasileiros para consertar a política.

Ou que as crianças pequenas possam ficar soltas no banco de trás do carro.

Também não cremos que todo mundo possa andar com uma pistola ou um revólver na cinta, menos ainda que tenhamos de fuzilar os bolsonaristas do Acre e sumir, na ponta da praia, com os discípulos de Olavo de Carvalho.

Nossos filhos não estão treinando tiros de pistola e de fuzil em Santa Catarina e não preferimos que um deles morra se descobrir-se gay.

Aliás, preferimos até de que se contorçam numa bipolaridade de quem é e não pode assumi-lo, pelo “bom-nome” da família.

Igualmente não achamos “energúmeno” que dá a vida pela educação, não achamos que o Leonardo Di Caprio esteja financiando a queima da Amazônia, nem que o Greenpeace esteja jogando óleo no mar.

Também está na nossa “anormalidade” não bater continência para a bandeira norte-americana, porque somos brasileiros e, porque brasileiros, defendemos as riquezas do país, a começar pela Petrobras.

Também não queremos “bamburrar” ouro como o senhor fazia quando era militar e, quando somos militares, não planejamos explodir bombas nos quartéis.

Não queremos guerra com a Venezuela nem com o Irã, não achincalhamos os argentinos. Ou quase nunca, deve ter havido uma partida de futebol ou outra em que o tenhamos feito, admito.

Somos diferentes e, se o senhor é seu próprio modelo de normalidade, somos anormais, porque queremos saber quem matou Marielle e Anderson, onde está Queiroz, como funcionava a rachadinha que o seu amigo de longa data arrecadava, até porque para emprestar R$ 40 mil “de boca” tem de ser amigo, muito amigo mesmo.

Ah, sim, e não condecoramos milicianos e não estupramos ninguém por princípio, não por feiura.

Falando nisso, alguém já lhe disse que o senhor está com aquele olhar do Jack Nicholson em “Um Estranho no Ninho”? É um pendor natural? Tá bom, eu sei que o senhor não assistiu, como não assistiu o filme da Petra Costa que o senhor desancou ontem, quinta-feira 16.

Então, dou-lhe uma referência mais fácil, a do saudoso Francisco Milani, naquele personagem que gritava: “eu sou normal!!!!”

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