Disparada do dólar: alguém “se deu bem” com fala de Guedes e “erro” na balança?

POR FERNANDO BRITO · Tijolaço - JAV

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Quem comprou a R$ 4,18/ 4,19 na segunda-feira pôde vender na quarta a R$ 4,26 e até R$ 4,27 ou mais, um belíssimo negócio para grandes operadores (Foto: Divulgação)

O comentário de Luís Nassif sobre o que ele teme seja a volta de trambiques milionários praticados à base de informações privilegiadas – o insider information – agora com possíveis negócios feitos com a alta do dólar provocado pelas inexplicáveis declarações de Paulo Guedes que que era bom “já ir se acostumando” com o dólar mais caro.

Nassif registra a notícia da Folha de que o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, de que a declaração causou imensos prejuízos ao país:

O Ministério Público de Contas, que atua perante o TCU (Tribunal de Contas da União), pediu à corte que apure possíveis prejuízos ao país decorrentes de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, com reflexos na cotação do dólar.

Em representação apresentada na quinta-feira 28, o subprocurador Lucas Rocha Furtado sustenta haver “fortes indícios” de que há responsabilidade direta do ministro na “alta extraordinária” da moeda americana nos últimos dias.

Para ele, houve perdas ao Banco Central e ao Tesouro Nacional porque foi necessário intervir no mercado para conter a subida da cotação.

Eu não havia lido a matéria, publicada na quinta-feira à noite mas, assim que vi, pousou um hipopótamo atrás de minha orelha.

É que no mesmo dia em que Guedes dava a entrevista desastrosa, a Secretaria de Comércio Exterior de seu ministério divulgava dados desastrosos sobre a balança comercial brasileira, apontando um déficit de US$ 1,1 bilhão, contra um superávit de US$ 4 bilhões um ano antes.

Na quinta-feira 28, corrigiu-se, dizendo que “esqueceu” de processar algumas exportações, coisa de como 30% do total. Uma situação que jamais aconteceu nas décadas de operação deste controle e chocante por ter sido um “lapso” de “apenas” US$ 4 bilhões.

O fato é que, em dois dias – produziu-se um salto na moeda norte-americana. Quem comprou a R$ 4,18/ 4,19 na segunda-feira pôde vender na quarta a R$ 4,26 e até R$ 4,27 ou mais, um belíssimo negócio para grandes operadores, que negociam na casa das dezenas e centenas de milhões.

Como Nassif reportou, é fácil saber quem se beneficiou desta operação “compra e vende” – e grande parte disso ao Banco Central, que entrou pesado no mercado para conter a disparada do dólar. “Basta conferir quem adquiriu dólares de forma expressiva antes das declarações de Guedes e vendeu imediatamente ao BC”.

Será que, como suspeita o procurador, tem caroço no angu do Guedes?

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