Sofre com gordura no fígado? Saiba o que fazer no dia a dia para eliminá-la

Profissionais explicam quais mudanças devem ser feitas na rotina e a importância da alimentação saudável e da prática de exercícios físicos

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A gordura no fígado é um problema que, se não tratado corretamente, pode trazer complicações ainda mais sérias à saúde (shutterstock)

Dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Hepatologia estimam que, em todo mundo, de 20% a 30% da população sofra com a doença hepática gordurosa não alcoólica, popularmente chamada de gordura no fígado. Obesidade, sedentarismo e ingestão excessiva de açúcar e alimentos gordurosos estão entre as causas.

Segundo Mayra Macena Gomes, endocrinologista da Cia. da Consulta, o problema recebe esse nome pois a lesão encontrada no fígado lembra a lesão induzida por álcool. “A obesidade gera aumento da gordura visceral e resistência à insulina. Esse conjunto de fatores resulta em acúmulo de gordura no fígado”, pontua. 

Mayra explica que esse excesso de gordura pode aumentar a chance de uma pessoa ter diabetes tipo 2, hipertensão e doença renal crônica. “Além disso, pode gerar inflamação do fígado. Esse quadro apresenta potencial de evolução para cirrose ao longo dos anos em cerca de 15% a 19% dos casos. Ainda pode aumentar o risco de tumor no órgão”, destaca.

Existem sintomas?

Cerca de 80% das pessoas com a condição não apresenta nenhum sintoma. O restante do público pode ter desconforto na parte superior de abdômen e fadiga. Em casos mais avançados, pode haver aumento do fígado. “O diagnóstico é feito pelo encontro de elevações nas enzimas do fígado (em exame de sangue) ou pela ultrassonografia de abdômen”, diz Mayra.

Maria José Femenias Vieira, médica cirurgiã do aparelho digestivo, de São Paulo, aponta que o paciente pode sentir também má digestão, distensão abdominal e gases. “Por outro lado, esses sinais podem estar associados à ingestão de alimentos refinados, gorduras e doces e não são sintomas específicos da infiltração gordurosa do fígado”, destaca. 

“Quando a doença evolui para cirrose hepática pode ocorrer confusão mental, alterações da coagulação, varizes de esôfago, cefaleia, icterícia (olhos amarelos), ascite (líquido intra-abdominal) e, em casos mais graves, evoluir ao coma hepático devido à encefalopatia, excesso de substâncias tóxicas que não são eliminadas”, completa Maria José.

Para evitar essas situações que podem comprometer e trazer prejuízos sérios e graves à saúde, a recomendação é fazer uma mudança no estilo de vida e começar a ter hábitos mais saudáveis no dia a dia. “Sem isso, a tendência é o aumento progressivo da gordura”, alerta a médica cirurgiã.

Mudanças na alimentação

Para começar, é importante evitar a ingestão de doces e refinados, como pão branco, biscoitos e bolachas. “As gorduras hidrogenadas (margarinas, manteiga, sorvetes) e saturadas não devem fazer parte das refeições diárias. Além disso, as carnes processadas e embutidas devem ser evitadas, assim como as frituras”, orienta Maria José.

A profissional recomenda dar preferência às carnes magras, assadas, cozidas ou grelhadas. O cardápio também deve incluir frutas, verduras, legumes, cereais e as gorduras consideradas saudáveis, encontradas nas castanhas, nozes, azeitonas, azeite de oliva. No entanto, o consumo deve ser moderado. “Quando ingeridos em excesso, podem determinar a obesidade”, alerta.

A médica cirurgiã ainda afirma que o açúcar deve ser eliminado das refeições. “Infelizmente, ele vem escondido em vários alimentos”, destaca. “A farinha branca também deve ser evitada, pois é a grande vilã e, associada aos doces, é a grande causadora da infiltração gordurosa do fígado”, continua. Bebidas alcoólicas também deve ser evitadas.

Por outro lado, por mais que essas sejam recomendações gerais, é importante procurar um médico para fazer o tratamento adequado. “Uma abordagem individualizada com cada paciente visando a perda de peso deve ser implementada. A palavra moderação é a que melhor descreve”, destaca Mayra. 

De acordo com a endocrinologista, qualquer abordagem dietética que gere restrição calórica e perda de peso pode ter benefício para os pacientes com gordura no fígado. “Deve ser montado um plano dietético equilibrado e individualizado que aborde as condições de cada um”, orienta a profissional.  

Atividade física também é importante

A prática de exercício físico junto com a alimentação equilibrada e saudável é uma das chaves para diminuir o acúmulo de gordura no fígado. “A recomendação da Organização Mundial de Saúde é a realização de, pelo menos, 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana ou 75 minutos semanais de atividade vigorosa”, diz Mayra.

Maria diz que exercícios como hidroginástica, natação, corrida, associados com musculação ou pilates, são recomendados porque aumentam a circulação e ajudam na perda de peso. “Muitas vezes, a pessoa não tem tempo para fazer exercícios e caminhar pelo menos uma hora por dia três a quatro vezes por semana já ajuda muito”, diz a cirurgiã.

Vale ressaltar que a perda de peso é extremamente importante para a melhora da doença hepática gordurosa não alcoólica. “Perdas de, pelo menos, 3% a 5% do peso corporal podem melhorar a condição. A cirurgia bariátrica, em casos de obesidade mais grave com indicação de tratamento cirúrgico, também pode levar a melhora da doença”, informa Mayra.

Medicamentos ajudam?

Para completar o tratamento, alguns medicamentos como a vitamina E podem ajudar. “Porém, o uso dessas medicações deve ser feito sob orientação médica em casos selecionados. Não pratique automedicação”, alerta Mayra, que ainda orienta a procurar um médico de confiança para tratar a doença.

“Sem mudança do estilo de vida, o que inclui a alimentação adequada e atividade física, a chance de regressão da doença é muito pequena. Apenas alterar o metabolismo por meio de remédios não trará os benefícios e a melhora esperada. Além disso, todo medicamento pode dar efeitos colaterais e algumas pessoas podem ter intolerância a eles”, pontua Maria José.

Segundo Mayra, a base do tratamento da gordura no fígado é o controle das doenças associadas como diabetes e alterações no colesterol, perda de peso e a mudança dos hábitos de vida com adoção de um estilo de vida mais saudável. “Pacientes que não forem aderentes a esse tratamento vão estar sob risco de complicações”, finaliza.

Fonte: Saúde – iG 

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