"No golpe contra o governo e o povo bolivianos ficou clara a submissão dos fanáticos adoradores do dólar e suas falsas promessas" (Foto: Reprodução)

A completa submissão à política internacional do governo norte-americano de Donald Trump transformou o Brasil no principal quadro auxiliar do imperialismo na América Latina e revelou a total vassalagem da elite brasileira ao império do norte. Os primeiros sinais foram contra a resistente ilha do Caribe, Cuba, cujo povo luta brilhantemente há mais de 50 anos contra um bloqueio econômico criminoso. Em seguida, os ataques aos povos árabes com a ameaça da transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, o que terminou com a abertura de um escritório que, por si só, já revela a intenção de submissão.

Na votação da Organização das Nações Unidas contra os embargos a Cuba, ficou mais claro. Amargamos duas derrotas: a da votação propriamente dita, pois o Brasil só teve como parceiros os Estados Unidos e Israel, e o abandono do conceito de autodeterminação dos povos defendido brilhantemente por nossa diplomacia desde os tempos da ditadura. A tentativa de intervenção no processo eleitoral argentino a favor do agente do Império Macri também foi uma derrota. Nela o próprio presidente em pessoa foi até aquele país anunciar seu apoio e teve que amargar a maior derrota sofrida pelo projeto neoliberal com a vitória e o retorno do peronismo nos braços do povo argentino.

No caso da Venezuela, eles tentaram até uma fracassada invasão através de uma “ajuda humanitária” de duas camionetas com alguns fardos de arroz. Mas tiveram que recuar e se render à realidade da resistência do povo e governo venezuelanos apoiado pela Rússia. Perdemos nosso maior comprador de arroz, prejudicando, desta forma, os agricultores gaúchos que ajudaram a eleger este projeto.

A entrega da Petrobras e sua maior descoberta, o pré-sal, através do “mega leilão” ao qual somente ela e os chineses compareceram, redundou num enorme fracasso, pois apesar das promessas dos terraplanistas acomodados no Instituto Rio Branco, seus maiores aliados nem apareceram. Ficaram desconfiados do governo dos milicianos. “Quando a esmola é muita até o santo desconfia”, devem ter pensado. Ficaram com medo do processo ter retorno com a libertação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Mas foi no golpe contra o governo e o povo bolivianos que ficou clara a submissão dos fanáticos adoradores do dólar e suas falsas promessas. Ajudaram até mesmo a articulação do golpe. Já foram mostrados diálogos telefônicos das oposições com citações sobre o apoio de Jair Bolsonaro e as Igrejas neopentecostais brasileiras que, junto com o feroz conservadorismo católico, assumiu nossa política externa.

Desta forma o departamento de Estado não precisa agir diretamente, coloca as milícias brasileiras a policiar a política da América Latina, ressuscitando a famigerada “Doutrina Monroe”: América para os norte-americanos.

BdF – Por Wálmaro Paz

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