Youtuber e empresário Felipe Neto (Foto: Reprodução)

O youtuber e empresário Felipe Neto, com 34 milhões de inscritos no YouTube e quase 10 milhões de seguidores no Twitter, transformou-se num influenciador digital que movimenta cifras milionárias e detentor de um enorme poder de fogo no embate político. 

Ele é crítico do governo de extrema-direita de jair Bolsonaro e enfrentou recentemente o prefeito evangélico do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do ocupante do Palácio do Planalto.  

O jornal Valor Econômico publica nesta segunda-feira (16) entrevista com o influenciador digital, considerando-o “pedra no sapato de Bolsonaro e de grupos conservadores”.   

O temor do clã à influência do youtuber se revela no episódio deste domingo, em que Bolsonaro apagou o tuíte em que reagia às postagens no Twitter sobre a entrevista feitas pelo Valor e por Felipe Neto. Bolsonaro publicou três emojis de rostos “chorando de rir”, às 18h36. Em menos de cinco minutos, porém, a mensagem já não constava mais em seu perfil.   

Felipe Neto é crítico de Lula e do PT, mas atualmente, volta suas baterias contra o governo Bolsonaro. “É impossível dar nota para o governo Bolsonaro porque não há governo, há apenas um circo infestado de palhaços sem a mínima graça”, diz. 

Para Neto, “com Bolsonaro, o Brasil virou piada mundial”.  

Cáustico, o youtuber diz que “Bolsonaro é uma alegoria, um mascote do reacionarismo e da burrice obscurantista e conspiratória idealizada pelo Olavo de Carvalho. O Brasil hoje é um arremedo de ministros incompetentes tentando estampar os jornais. A ministra da Agricultura é uma lobista do agronegócio e defensora de todos os agrotóxicos do planeta; o do Meio Ambiente nega o aquecimento global e acredita na teoria globalista de controle; o da Economia quer recriar a CPMF; o da Educação não consegue escrever três frases sem errar o português; a dos Direitos Humanos odeia minorias e quer estabelecer sua própria noção de moral a todos os demais; o de Relações Exteriores acredita que o nazismo é de esquerda e consegue passar vergonha internacional em um seminário de conservadores”.   

Mesmo não se identificando com a esquerda, Felipe Neto critica a pauta econômica do governo Bolsonaro. “O problema do total liberalismo é que ele ignora por completo a bagagem histórica, social e cultural do Brasil. O liberal de meia tigela é o cara que acha que para o Brasil virar os Estados Unidos basta copiar tudo que eles fazem. Não é. O Brasil é um país de 519 anos com uma história inteiramente diferente desde sua fundação como colônia de exploração e não de povoamento, como foi o modelo norte-americano. Não adianta você simplesmente adotar medidas liberais num país repleto de ignorância, ganância e desejo de se dar bem acima de qualquer coisa. Quando vejo um liberaloide desses dizendo que basta remover os direitos trabalhistas que o patrão vai refletir tudo em salário, eu fico completamente estarrecido. Agora, quando vejo pessoas falando que o que o Brasil precisa é de cada vez mais Estado, mais controle e mais intervenção, eu fico igualmente estarrecido. Há privatizações que são sim importantes, já outras não são. O segredo está sempre no bom senso, no diálogo e na busca pela coerência”.

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