Você sabia que jovens podem transmitir meningite meningocócica sem adoecer?

Saiba como se prevenir da doença e confira também uma entrevista com o Pedro Pimenta, sobrevivente da meningococcemia

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Pedro Pimenta - sobrevivente da doença meningocócica (Arquivo Pessoal / Divulgação)

21 de setembro – Dia do Adolescente

Jovens podem transmitir meningite sem adoecer?! Sim, é verdade!  Até 23% dos adolescentes e adultos podem ser portadores da bactéria causadora da meningite meningocócica e podem transmití-la para outras pessoas através da saliva e partículas respiratórias, sem necessariamente desenvolver a doença.

Por isso, embora muitas vezes associada apenas às crianças e aos idosos, a vacinação também é fundamental para os adolescentes. “É primordial vacinar essa faixa etária, não só para proteção individual deles, mas também para diminuir a circulação da Neisseria meningitidis, bactéria causadora da meningite meningocócica”, alerta Dr. Jessé Alves (CRM 71991 SP), gerente médico de vacinas da GSK.

Segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), jovens de até 19 anos precisam seguir o esquema vacinal recomendado. “E, caso alguma dose esteja em aberto ou alguma vacina não tenha sido administrada na infância, é importante fazer a atualização da caderneta de vacinação”, afirma Dr. Jessé.

Dados de um estudo realizado nos Estados Unidos revelam que a grande maioria dos jovens e pais acredita que a vacinação é importante nesta faixa etária, mas as taxas de cobertura vacinal estão abaixo das metas nacionais e internacionais. O estudo mostra também que apenas 44% dos médicos alertam os adolescentes sobre as vacinas faltantes ou atrasadas que devem ser administradas.

Atualmente, a rede pública de saúde e a rede privada disponibilizam aos adolescentes vacinas contra diversas doenças como meningite meningocócica, hepatites A e B, febre amarela, sarampo, caxumba e rubéola (através da vacina tríplice viral), difteria, tétano, catapora, gripe, além de HPV.6,7

Doença Meningocócica (Meningite Meningocócica)

A meningite meningocócica é uma infecção bacteriana das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, que possui 13 sorogrupos identificados, sendo que cinco deles são os mais comuns (A, B, C, W e Y). No Brasil, a doença meningocócica leva cerca de 20% dos pacientes a óbito, que pode ocorrer dentro de 24 a 48 horas após o início dos sintomas. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a doença. Outras formas que podem ajudar na prevenção incluem evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos.

Atualmente, existem vacinas para a prevenção dos 5 sorogrupos mais comuns no Brasil, as vacinas contra a meningite meningocócica causada pelo tipo B e as vacinas contra os tipos A, C, W e Y. A vacina contra os tipos A, C, W e Y, por exemplo, é recomendada nos calendários das sociedades médicas a partir dos 3 meses de idade, bem como para jovens. A vacina para a prevenção da meningite meningocócica causada pelo tipo B é recomendada a partir dos 3 meses de idade pelas sociedades médicas.

Nos postos de saúde, a vacina contra a doença causada pelo meningococo C é disponibilizada para crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes de 11 a 14 anos.7

Entrevista Pedro Pimenta – sobrevivente da doença meningocócica

Pedro Pimenta é sobrevivente da meningococcemia, uma infecção generalizada causada pela mesma bactéria da meningite meningocócica e que rapidamente se espalha pela corrente sanguínea.1,2,10 Ele era esportista, tinha uma alimentação saudável e, mesmo assim, contraiu a doença aos 18 anos de idade.

 – O que aconteceu no dia em que contraiu a doença? O que sentia? A evolução foi rápida?

Pedro: Quando eu fiquei doente, foi tudo muito rápido. Parecia que eu tinha uma gripe muito forte, com muita febre, dor no corpo, mas durante a madrugada eu já acordei em choque, com os órgãos já não funcionando direito. Não conseguia falar, me levantar, e até para me movimentar e pegar o celular do outro lado da cama foi difícil. Com muito esforço, consegui ligar para meu irmão e dali em diante só lembro de ter acordado no hospital dias depois. Quando eu entrei no hospital eu tinha menos de 1% de chance de sobreviver, com uma gravidade extrema. Foram quase seis meses internado e, milagrosamente, consegui sair vivo.

– Você conhecia a doença meningocócica e a sua gravidade antes de contraí-la?

Pedro: Não conhecia. Na verdade, eu nunca tinha ouvido falar. Eu não tenho ideia de como contraí a bactéria, mas como a minha imunidade estava baixa na época, favoreceu a doença. Ela se espalhou rapidamente pela minha corrente sanguínea e necrosou meus membros superiores e inferiores. E o custo da minha sobrevivência foi a amputação dos dois braços acima dos cotovelos e das duas pernas acima dos joelhos.

 – Mesmo jovem e saudável, você contraiu a doença meningocócica e quase foi à óbito. Conta um pouco como foi e o que aprendeu com isso.

Pedro: Jovem, aos 18 anos, a gente se acha invencível. Eu era o mais saudável da turma e aconteceu isso. É uma coisa que a gente não espera e que pode acometer qualquer pessoa. Essa doença evolui muito rápido, é gravíssima e altamente letal. Ou seja, é um milagre estar vivo. Mas ninguém precisa passar pelo o que eu passei. A pesquisa e o desenvolvimento já foram feitos. Temos vacinas para combater essa doença. É muito importante que as pessoas se conscientizem, se vacinem e se protejam.

Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico.

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