Apesar da importância, o governo Jair Bolsonaro tem prejudicado a produção dos agricultores, afirma especialista - Foto: Divulgação

A maior parte da alimentação que chega à mesa das famílias brasileiras vem dos pequenos agricultores. Esse é um fato que precisa ser reconhecido e divulgado, para que a população do país tenha noção de quais bandeiras defender para ter acesso a uma alimentação saudável. O dia da Agricultura Familiar foi celebrado na quinta-feira 25. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os agricultores familiares são responsáveis pela produção de mais de 80% de toda a comida do planeta. No Brasil, 70% dos alimentos que chegam à mesa tem origem no trabalho da agricultura familiar e campesina.

A agricultora Maria Alves da Silva, aos 66 anos, planta repolho, cebolinha, alface, frutas e mandioca. Ela participa de um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Bairro de Perus, na zona norte de São Paulo. Uma das características dos alimentos produzidos pelo MST nesse acampamento é a ausência de agrotóxicos. “Fazemos o enfrentamento, porque se a alimentação é um direito, que esse direito seja sem veneno. Nós temos que tirar o veneno da mesa e ampliar as práticas agroecológicas”, conta ao repórter Jô Miyagui, da TVT.

“No Brasil e no mundo, não é o agronegócio que produz a maioria dos alimentos do nosso dia a dia e quase tudo o que comemos vem dos pequenos agricultores. Tem uma demanda e uma oferta, a pequena agricultura já é responsável por 70% do que vai para a mesa das pessoas”, acrescenta Maria.

No Brasil, os alimentos da agricultura familiar são produzidos em apenas 25% das terras usadas pela agropecuária. “São 12 corporações que mandam na alimentação no mundo e também no mercado financeiro, enquanto a agricultura familiar permite a permanência no território, o cuidado da biodiversidade e a manutenção da ancestralidade dos nossos alimentos”, critica André Luzzi, ex-integrante do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável.

Apesar de toda essa importância, o governo Jair Bolsonaro não estimula quem produz comida, afirma o especialista. “Nós tivemos avanços importantes em outras gestões, como a priorização da compra da agricultura familiar para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o fortalecimento de crédito voltado à agricultura familiar. Hoje, esses programas são reduzidos e esvaziados”, relata André.

Mesmo com o descaso do governo, os sem-terra não desistem da missão de alimentar a si mesmos e a população. O acampamento Comuna da Terra Irmã Alberta abriga 50 famílias, onde lutam, há 17 anos, por reforma agrária. A estimativa é uma produção de quatro toneladas de alimentos por mês. “A gente tem cada vez mais parceiros e pessoas nos apoiando, porque é uma agricultura de inclusão, de troca de experiências, onde um agricultor vigia o outro para que se produza de forma correta”, finalizou a agricultora.

FONTE: TVT

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