Ao demonizar instituições, Bolsonaro ameaça democracia

Messiânico, presidente ataca Congresso, STF e a imprensa

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(Charge)

Do Blog de Kennedy Alencar – IG – JAV

No final do dia de ontem (segunda-feira 20), o presidente Jair Bolsonaro recuou de uma série de ataques ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal, à imprensa e corporações que o impediriam de governar o Brasil. Essa estratégia de morde e assopra é uma tentativa de emparedar o Congresso pelo fracasso de ter desperdiçado o período de lua de mel para aprovar projetos no Legislativo.

Demonizar a política é um gesto autoritário. Trata-se de ameaça à democracia. Ontem (20), Bolsonaro afirmou que “o grande problema do Brasil é a classe política”. Ora, só na família presidencial há quatros políticos.

Bolsonaro é o que sempre foi: um autoritário despreparado para exercer a Presidência. Recorre a teorias conspiratórias para vender uma mentira à população, a de que seria impedido de governar em benefício do povo.

O presidente simplesmente mente. O Congresso, o STF e a imprensa não são obstáculos a nada. Mas, sim, a fábrica de crises que é a gestão Bolsonaro.

Na última sexta, o presidente compartilhou no WhatsApp um texto que leu e não entendeu. A análise política e econômica de quinta categoria, rasa até para o que se costuma ler dos ideólogos do bolsonarismo, terminava com uma dica para que agentes financeiros vendessem suas posições no mercado. Isso não é atitude de presidente da República.

No sábado, chamou a imprensa de mentirosa por que foi informado que ele sancionaria anistia a partidos políticos. Logo se soube que o mentiroso era outro. Será que ele confundiu sanção com veto, já que parece ter tirado zero em nota de interpretação de texto?

Para piorar as coisas, o presidente divulgou no seu Facebook um vídeo no qual um pastor congolês que vive na França diz que “Deus o escolheu [Bolsonaro] para um novo tempo, para uma nova temporada no Brasil”.

Esse discurso estimula o fundamentalismo político-religioso, numa perigosa atitude divisionista e messiânica. O governo mistura visão autoritária com manipulação política.

É injusto demonizar a classe política, a Nova República e a Constituição de 1988. O Brasil tem tradição autoritária e populista. Existem problemas no sistema político-partidário do país, mas a nação avançou no período democrático.

No futuro, brasileiros sentirão saudade dos 16 anos de FHC e Lula no poder. Ambos fizeram bons governos, mas o Brasil se perdeu em algum ponto do tempo e espaço ali por volta de 2013 e, desde então, não consegue sair dessa realidade paralela em que se meteu.

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