Andréia Duavy: Vale a pena? – Proteção se faz com armas não letais

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Na última semana ocorreram três atentados com arma de fogo em três cidades diferentes: Suzano – SP; Crhistchurch na Nova Zelândia e na segunda-feira 18, de manhã, em Ultrecht na Holanda, fazendo 61 vítimas de arma de fogo e muitos feridos. Enquanto na Nova Zelândia a resposta do governo é o endurecimento das leis de armamento, aqui no Brasil, o debate da redução da burocracia para a posse de arma tem sido mais do que uma resposta do Governo atual: foi mesmo a sua principal promessa de campanha.

Desde o ataque à Suzano, há uma tentativa de associação direta entre a cultura armamentista difundida por Bolsonaro e o aumento da violência e surgimento desses ataques, que vou evitar nesse texto.

A discussão sobre a posse de arma, no entanto, é inevitável. Sobretudo pelas declarações do líder do governo que afirmou tratar de um “caso isolado”, por outros correligionários que defenderam porte de arma para professores e por inúmeros comentários afirmando que “se os professores estivessem armados a tragédia teria sido evitada” (?) – Me pergunto se essas pessoas acham razoável que os professores trocassem tiros com jovens na frente de seus alunos, aliás, com adolescentes na linha de tiro entre eles, tsc, tsc…

Como é inevitável, e como cada vez mais o debate está individualizado, quero tratar disso de outra forma, propondo uma reflexão a você. Sim a você mesmo. Autoproclamado “cidadão de bem” (autoproclamação está na moda, então resolvi usar).

Pense bem:

Você pode se dizer totalmente responsável. Esconderia sua arma em um lugar seguro. Só usaria em casos extremamente necessários. Para a proteção né? Você faz todos os testes psicológicos, tem os 9 mil (!) para comprar a sua arma. Tem absoluta confiança de que nada vai acontecer. Tudo bem até aí.

Mas vamos supor que um dia, um único dia, você cometa um único deslize. Deixa o cofre aberto. Tira a arma para mostrar para os seus amigos e esquece de guardar. Deixa carregada. E seu filho ou alguém que você ama encontra a arma. O que acontece?

Ele pode levar para a escola para mostrar para os amigos. Ele pode chamar os amigos em casa para se gabar. Ele pode segurar a arma e analisando-a direcioná-la para o próprio rosto. O que acontece?

Imagina se você entra numa briga, um assaltante entra na sua casa e você quer se proteger ou a arma cai da sua mão e dispara. O que acontece?

Você ou alguém que você ama será uma vítima ou um assassino.

Não existe meio termo. Quem mata é assassino. Quem morre é vítima.

Proteção se faz com armas não letais: choque, spray de pimenta, barricada (vide as tias da merenda da escola que salvaram 50 crianças sem disparar um tiro). Armas só servem para matar. Matar. Vale a pena mesmo?

Andréia Duavy é Arquiteta e Urbanista, Designer de Interiores e Militante da UBM.

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