Caderneta “pornográfica”? É só digitar no Google…

POR FERNANDO BRITO

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(Caderneta pronográfica)

O recolhimento de uma caderneta de orientação – e não só sobre sexo – a adolescentes não é um ato de “reposição de valores morais” e isso é tão evidente que até uma indigência intelectual como a de Jair Bolsonaro pode perceber.

Talvez 70 0u 80% dos meninos e meninas nessa idade – para não dizer antes – têm nas mãos (ou nas de um coleguinha) um telefone celular conectado à internet que, como uma simples “googlada” dá acesso a tudo o que você pode imaginar em matéria de sexo e, talvez, ao que você nem mesmo possa imaginar.

Se ele não procurar, alguém lhe mostra, como nos mostravam, há 50 anos, os desenhos do Carlos Zéfiro e as “revistinhas de sacanagem”.

Em lugar daquela pornografia quase ingênua, porém, eles terão acesso não apenas a algo que é muitissimamente mais pesado e danoso que os desenhos de genitálias: é receber nenhuma informação sobre doenças sexualmente transmissíveis, violência sexual, métodos contraceptivos, etc…

A não ser que isso seja para ele algum escândalo, um “refake” do fantasioso kit gay.

Qualquer programa público de educação sexual perde de 100 a 1 para o que se exibe na web. Aliás, perde para o que o próprio Bolsonaro exibe na internet e não só nos vídeos escatológicos que reproduz.

A menos que se pense que aquela sua fala sobre um apartamento servir “para comer gente” se referisse a canibalismo.

Como de tudo isso sabe o sr. Bolsonaro e seu assecla no Ministério da Saúde, não há um pingo de moralismo em suas atitudes de mandar rasgar páginas da tal caderneta ou de expurgar dela qualquer referência a sexo.

Não vou me aventurar nas razões psicológicas da fixação do sr. Bolsonaro em sexo, até porque análises psiquiátricas, em relação a ele, já têm material demais a ser estudado.

Fico no campo político e nele o nome disso é politicagem, exploração barata do atraso e da ilusão de pessoas simplórias, que acham que podem manter seus filhos longe da visão do sexo porque, nas suas palavras, “não cai bem”.

Ninguém, nem mesmo o poderoso ex-capitão, consegue fazer isso numa sociedade inundada por um oceano de imagens que circulam livremente. E não fazer do jeito certo é o mesmo que, aí sim, entregarmos nossos filhos e netos para o mundo da pornografia, porque a curiosidade e a atração não vão deixar de existir arrancando as páginas da caderneta.

Tijolaço


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