Bibi Ferreira, uma vida inteira sobre os palcos do mundo

Atriz morreu aos 96 anos, depois de sofrer uma parada cardíaca em seu apartamento, no início da tarde desta quarta-feira. Ela atuou durante quase oito décadas, parando apenas no ano passado

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Abigail Izquierdo Ferreira, filha de um ator e de uma bailarina, tornou-se Bibi ainda na infância. Com menos de um mês, subiu em um palco, levada pela madrinha. Aos 96 anos – completaria 97 em 1º de julho –, Bibi Ferreira morreu na tarde desta quarta-feira 13, em seu apartamento no Bairro do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro. Segundo as primeiras informações, ela sofreu uma parada cardíaca. O velório realizado no Teatro Municipal do Rio.

“Ela amanheceu normal, acordou tomou seu café da manhã e tudo. Depois ela só se queixou que estava se sentindo um pouco com falta de ar. Então como tem enfermeira, tem tudo, tiramos a pressão, o pulso estava fraco”, contou ao portal G1 a filha única de Bibi, Teresa Cristina, ou Tina Ferreira, relatando que o socorro foi chamado imediatamente. “Eles vieram muito rápido, muito rápido mesmo, ambulância, médico, tudo, mas quando chegaram ela já tinha partido. Ela morreu dormindo, tranquila.”

Em setembro do ano passado, Bibi anunciou a aposentadoria, após 77 anos nos palcos, e disse que seguiria uma vida mais reclusa, com família e amigos próximos. “Nunca pensei em parar, essa palavra nunca fez parte do meu vocabulário, mas entender a vida é ser inteligente. Fui muito feliz com minha carreira. Me orgulho muito de tudo que fiz. Obrigada a todos que de alguma forma estiveram comigo, a todos que me assistiram, a todos que me acompanharam por anos e anos. Muito obrigada”, disse ela na despedida.

“Ela é o símbolo da profissão do artista. Em momentos como esse que vivemos, onde as pessoas são manipuladas pela categoria menos confiável que há (políticos), para atacarem uma das profissões mais antigas do mundo, um exemplo como Bibi é antídoto poderoso contra toda essa ladainha. Uma mulher que trabalhou até os 95 anos, que lutou por sua classe, pela cultura e também pela dignidade das mulheres, deixa para todos nós o legado da sua existência”, afirmou em rede social o ator Lúcio Mauro Filho, lembrando que seu pai foi ator da companhia de Procópio Ferreira, pai de Bibi.

Bibi fez carreira na TV Excelsior, mas certamente será mais lembrada por sua atuação em peças e musicais. Nos anos 1960, por exemplo, fez com Paulo Autran, Minha Querida Dama (My fair lady) e Alô, Dolly! (Hello Dolly!). Na década seguinte, protagonizou O Homem de la Mancha, musical dirigido por Flávio Rangel, com letras adaptadas por Chico Buarque.

Entre os vários trabalhos marcantes de Bibi, está Gota d´Água, peça escrita por Paulo Pontes e Chico Buarque, uma ambientação para um morro carioca da tragédia grega Medeia, de Eurípides. Ela também interpretou cantoras míticas, como a portuguesa Amália Rodrigues e a francesa Edith Piaf. Bibi dirigiu o espetáculo Brasileiro, profissão esperança, de Paulo Pontes e Oduvaldo Vianna Filho, celebrizado por Paulo Gracindo e Clara Nunes.

RBA

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