Mourão defende “privatizar o que tiver que ser privatizado” e cobra reforma

Em palestra com empresários do setor de infraestrutura, o vice-presidente eleito citou a possibilidade de estudar um "dólar médio" para conter as altas e fez apelo por aprovação "urgente" de mudanças na Previdência em 2019

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O vice-presidente da República eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), disse que o governo espera aprovar já no primeiro de semestre de 2019 a reforma da Previdência e reafirmou a necessidade de “privatizar aquilo que tiver que ser privatizado”. As declarações foram feitas na quinta-feira 29, em reunião promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília.

De acordo com o general Mourão, para que o novo governo possa reestabelecer a economia brasileira e equilibrar as áreas de infraestrutura, foco do encontro, é preciso aprovar o quanto antes as reformas Tributária (que tramita no congresso) e da Previdência. O vice-presidente diz que “Precisamos urgentemente, ao longo do primeiro semestre, aprovar essa reforma (Previdência) para ter espaço no orçamento.”

Mourão apresentou ainda proposta de garantia contra as oscilações do dólar, na qual o governo compensaria a iniciativa privada diante dos aumentos para obras de grande porte, com flutuação significativa do câmbio. “Visualizamos claramente que o governo tem de ter o planejamento, a licitação muito bem feita e a garantia contratual para que a empresa possa participar desse processo e executar o que está sendo demandado”, afirmou.

Ele complementa ainda que “Seria o caso de estudar um dólar médio. Se subir, tem de ser compensado pelo governo. Se descer, a empresa está com o seu lucro ainda mais assegurado. O dólar flutua demais. Vamos dizer que seja estabelecido em R$3,50. Este é o parâmetro na constituição. Se o dólar subir para R$ 3,70, aí entra o parceiro público, o governo, para compensar a empresa no prejuízo.”

No entanto, o futuro vice-presidente lembra que a palavra final será dada por Tarcísio Gomes de Freitas, que assumirá o Ministério de Infraestrutura no governo Bolsonaro.

Durante a palestra com engenheiros e empresários do setor de infraestrutura, reafirmou a necessidade de “privatizar aquilo que tiver que ser privatizado” e reiterou o que disse o presidente eleito sobre algumas empresas não serem privatizadas, como a Petrobras e o Banco do Brasil.

Sobre os rumos do próximo governo na economia, Mourão falou que os nortes serão a liberalização financeira e a abertura comercial, de forma “lenta, gradual e segura”, abrindo as portas para investimentos estrangeiros que sejam “capital de risco, para construir estrada, construir rodovia.”

O vice-presidente eleito demonstra cautela e prega primeiro recuperar a economia para depois abri-la ao mundo, criticando as gestões anteriores e dizendo que “Não queremos empréstimo puro e simples. Porque esse filme a gente já viu e sabe que não dá certo.”

Mourão fala sobre o cenário internacional

Ao longo da palestra, além de falar sobre o futuro da economia brasileira e a relação com outros países, o General disse que o presidente russo Vladimir Putin pretende reestabelecer a antiga União Soviética e afirmou que o Brasil precisará saber tomar partido na briga entre Estados Unidos e China.

Sobre o excesso de burocracia no País, ele fez comparações e afirmou “Tenho comparado nosso Brasil, de uma forma bem positiva, a um cavalo maravilhoso, olímpico, capaz de saltar 1,8 metro de altura, desde que seja montado por um ginete de mão de ceda, cintura de borracha e de perna de aço. Infelizmente estamos saltando só 0,70 metro porque nosso ginete está pesadão, a mão é de ferro e a perna está frouxa. “Está na hora de colocarmos este animal com toda a capacidade que ele tem.”

Hamilton Mourão defendeu que o governo priorize os gastos, desvincule as receitas da união, crie linhas de crédito para empresas via BNDES e consiga aprovar o quanto antes as reformas “essenciais”, tributária e da Previdência.

Fonte: Economia – iG / Com informações da Agência Brasil

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