Doutores, é vergonha ou crime de responsabilidade?

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Por Kennedy Alencar – Publicado originalmente em seu blog

O ministro Luiz Fux acabou na segunda-feira 26, com o auxílio-moradia numa decisão simultânea à sanção do presidente Michel Temer ao aumento dos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Vergonha é a palavra educada para descrever uma confissão explícita de fisiologia política.

Depois de manter durante por cerca de quatro anos uma liminar que permitia a farra do auxílio-moradia para todos os integrantes da magistratura e do Ministério Pública, Fux entendeu que o benefício não fazia mais sentido após o reajuste de 16,35% que será dado aos ministros do STF e que vai ter efeito cascata sobre as contas públicas.

Mais: o benefício só parará de ser pago quando o contracheque engordar com o aumento arrancado dos cofres públicos.

Fux e o presidente do STF, Dias Toffoli, fizeram acordo com Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Um integrante do meio jurídico de Brasília avalia que um entendimento desse tipo é crime de responsabilidade.

É algo que vai além da tradicional troca de favores. É mais do que é dando que se recebe praticado com frequência em Brasília.

No ano que vem, o salário dos ministros do STF subirá de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Magistrados e integrantes do MP se preparam para obter a mesma vantagem.

Em troca desse mimo num momento de grave crise fiscal, Fux determinou o fim do auxílio-moradia de R$ 4,3 mil.

O Brasil não é mesmo para amadores.

Lobbies corporativos profissionais abocanham fatias do orçamento público sem o menor pudor.

Defendem privilégios num momento econômico em que as contas públicas estão arrebentadas.

Os mais pobres, mais uma vez, pagarão a conta.

Esse exemplo clássico de patrimonialismo que aconteceu segunda-feira em Brasília é uma forma de corrupção, doutores.

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