Após golpe de 2016, desigualdade de renda para de cair e Brasil retrocede

Relatório da Oxfam aponta que índices de desigualdade ficaram estagnados entre 2016 e 2017, após 15 anos de redução. Mulheres e população negra são os principais afetados

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Para enfrentar situação, organização não-governamental defende a revogação do Teto de Gastos e reforma tributária - FOTO: MARCELLO CASAL EBC/REPRODUÇÃO

Pela primeira vez, em 15 anos, não houve redução na desigualdade de renda no Brasil, que se manteve inalterada entre 2016 e 2017, de acordo com relatório anual “País Estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras”, divulgado nesta segunda-feira 26, pela organização não-governamental Oxfam Brasil.

O coeficiente Gini, que mensura a renda domiciliar per capita e a desigualdade de renda permaneceu inalterado. O Brasil ocupa agora, em um conjunto de 189 países, a 9ª pior posição em matéria de desigualdade de renda medida pelo coeficiente, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Segundo o relatório, há também “um grave recuo do progresso social do país” com a renda das mulheres e da população negra registrando os piores desempenhos quando comparadas aos homens e à população branca.

Em entrevista à Carta Capital, a diretora-executiva da Oxfam , Kátia Maia, reafirmou a necessidade do país em rever as medidas de austeridade fiscal adotadas nos últimos anos, entre elas, a Emenda Constitucional (EC) 95 do Teto de Gastos, que restringe por 20 anos despesas públicas em áreas sociais.

“O futuro está ameaçado. A tendência é de um aumento do número de pessoas que precisam de assistência do governo e dependem dos serviços públicos. Para retomar o combate às desigualdades e melhorar a qualidade de vida da população, é fundamental revogar essa medida. Isso não significa que devemos abrir mão do controle fiscal. É possível equilibrar as contas em outras bases, sem sacrificar os investimentos sociais”, afirmou Kátia Maia à publicação.

A pesquisa alerta que, além da revogação do Teto de Gastos, é preciso aumentar a oferta de empregos e garantir maior investimento público em políticas sociais e em uma reforma tributária para dar conta das desigualdades históricas. “É necessário tributar lucros e dividendos, que é uma espécie de salários do super ricos que é isenta no Brasil hoje”, explica o coordenador de Campanhas da Oxfam, Rafael Georges ao Brasil de Fato.

Em sua conta no Twitter, a senadora Gleisi Hofmann (PT-PR) considerou a situação como um desdobramento do Brasil após o golpe de 2016, que retirou a presidenta Dilma Rousseff (PT) do poder. “Avisamos que isso iria acontecer. Num país tão desigual como o Brasil, precisamos de um Estado forte, com políticas indutoras de desenvolvimento e programas de proteção social. Temer-Bolsonaro fazem exatamente ao contrário. Só vai piorar”, avaliou em referência ao futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL).

RBA

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