Economista descreve o que há em comum entre eleições de Bolsonaro e de Hitler

Em debate na Vigília Lula Livre, Anderson Gimenes falou sobre semelhanças entre o presidente eleito e o ditador alemão

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A eleição de Jair Bolsonaro (PSL), no Brasil, é a repetição de uma história trágica que aconteceu na Alemanha da década de 1930, com a ascensão de Adolf Hitler ao poder. A comparação foi feita pelo economista Anderson Gimenes, nesta quarta-feira 7, em roda de conversa realizada na Vigília Lula Livre, em Curitiba.

Depois de fazer um panorama histórico, Gimenes explicou que a Alemanha pré-Hitler sentia os efeitos da crise econômica iniciada em 1929, no Estados Unidos, que acarretou na queda da produção industrial mundialmente. Esse cenário levou a uma explosão de desemprego no país, chegando a taxa de 44%.

“Houve um desemprego muito grande, um desespero por parte das pessoas, e a falta do Estado para ampará-las”, diz Gimenes, afirmando enxergar semelhanças entre a desilusão vivida pela população alemã daquela época e a que vive o povo brasileiro atualmente. “As pessoas estão muito desiludidas com o Estado, com a corrupção. Então, tanto o PT quanto a direita não deram uma solução democrática para o que a gente tem”, explica.

O economista pondera, no entanto, que, se a crise alemã foi impulsionada por fatores externos, a brasileira foi fabricada principalmente por setores políticos do país, ao articularem o golpe de Estado iniciado em 2016.

Desde que Michel Temer assumiu a Presidência, em maio de 2016, a taxa de desemprego no Brasil nunca chegou a patamar menor do que aquele apresentado no início de seu governo. A marca era de 11,2% e, atualmente, está em 11,9%. O índice atual significa que 12,5 milhões de pessoas estão desempregadas no Brasil.

Para Gimenes, a projeção de futuro para o país com o governo Bolsonaro é de aumento do desemprego e da concentração de renda, além de uma diminuição real nos salários. O economista analisa que a principal diferença entre o presidente eleito e Hitler é o falso discurso nacionalista: Bolsonaro estaria comprometido com interesses norte-americanos, dispostos a retomar uma política de “neocolonialismo na América”.

“Para mim, o Bolsonaro não tem esse compromisso com o patriotismo. Eles [governo Bolsonaro] vão cortar mais os gastos, excluir mais os gastos sociais públicos, tirar o dinheiro para pagar bancos, título da dívida, para aumentar a concentração de renda no país. A tendência é a gente ter uma crise muito maior”, afirma.

O capitão reformado assumirá a Presidência da República em janeiro de 2019.

Lia Bianchini – BdeF

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