Tudo Sobre Caspa, de Acordo com 3 Especialistas

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Percebeu caspa de uns tempos para cá? Descubra o que fazer

A caspa é igual a um hóspede indesejado, não é? Chega quando você menos espera (e na pior hora), causa a maior bagunça. E parece que não vai embora nunca. Além disso, sofre com ela constantemente sabe do que estamos falando: evitar as roupas escuras com medo de ela dar as caras já virou parte da rotina.

As escamas brancas e prateadas — ou até amareladas, em alguns casos — que aparecem no couro cabeludo estão presentes no quadro clínico de uma doença não contagiosa denominada dermatite seborreica. Junto com ela, costumam aparecer vermelhidão na região da cabeça, coceira e uma certa ardência. A caspa crônica, ou seja, aquela que aparece para ficar a vida toda (se não tratada e controlada, é claro), geralmente começa a surgir já na adolescência. Apesar de ser mais grave na faixa dos 30 aos 60 anos.

Para entender melhor, fomos consultar não uma, nem duas, mas três médicas especialistas. Cláudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Academia Americana de Dermatologia (AAD); Mabe Gouveia, Tricologista da clínica Valéria Marcondes; e Adriana Cairo, da clínica Adriano Cairo Dermatologia.

O que é e o que causa a caspa?

A doença, segundo as três médicas, ocorre onde há uma grande quantidade de glândulas sebáceas (o nosso couro cabeludo é cheio delas), que começam a produzir mais sebo do que o necessário. Assim, acabam por inflamar a região e desencadeiam todos os sintomas já mencionados.

Existem grandes diferenças entre a caspa crônica e a ocasionada por agressores externos. “A seborreia, diferente de um quadro pontual ou ocasional, produz sintomas clínicos mais brandos com lesões menores e em pequena quantidade”, explica Cláudia.

Esse tipo de seborreia tem uma relação com causas genéticas, com a desregulação hormônios masculinos e até com um fungo naturalmente presente em nossa pele, o P. ovale. O aumento desses micro-organismos, que vivem de gordura e restos de queratina, no corpo, pode causar a seborreia. Contudo, pode ocorrer em tanto em homens como em mulheres. E a causa exata que leva um indivíduo a desenvolver a caspa crônica é difícil de diagnosticar com precisão.

O que a ciência já sabe é que alguns fatores, quando combinados com a falta de cuidado do paciente, podem piorar o quadro. “O estresse, a falta de sono, a fadiga, o exagero na ingestão de alimentos gordurosos, bebidas alcoólicas e até doenças como Parkinson e diabetes podem servir de gatilho para a caspa”, afirma a doutora Mabe.

Eu nunca tive e passei a ter, o que pode ser?

Os quadros pontuais da seborreia estão mais associados a agentes externos que agridem e irritam o couro cabeludo. “Procedimentos químicos que contenham parafenildiamina (presente em algumas tinturas de cabelo), amônia ou água oxigenada (que aparecem dos descolorantes), lítio, tioglicolato de sódio, formol e o hidróxido de sódio (abundantes nos alisamentos da vida) podem promover irritação, coceira, vermelhidão e descamação”, fala Claudia.

E é bom tomar cuidado até com as alternativas que prometem ser milagrosas e inofensivas por aí. Nomes fantasia como a ureia, o botox capilar, progressiva de chocolate, indiana e outros costumam ter ativos na composição que provocam os mesmos efeitos.

É verdade que no inverno a caspa piora?

Pois é. Pode parecer sem sentido — afinal, o inverno é uma estação em que pele e cabelo ficam mais secos, não é? Mas o que acontece é que com os dias mais frios e secos. E os banhos ficam mais longos e bem mais quentes. E aí é caspa na certa. “Quando o couro cabeludo, que é rico em glândulas sebáceas, recebe esta agressão contínua da água quente — que provoca vasodilatação dos pequenos vasos da pele além de eritema (vermelhidão) — ocorre a produção rebote de óleo ou sebo na tentativa de proteger a região”, explica Claudia.

O excesso de condicionador, shampoos mais cremosos ou leitosos e máscaras capilares ricas em óleos obstruem os folículos e pioram o quadro. Ficar muitos dias sem lavar o cabelo ou o uso do secador de cabelo na temperatura máxima, também.

Mas então o que fazer?

Uma vez instalada, a caspa não vai sair só com a lavagem. Porém, se o seu caso é devido ao inverno, por exemplo, Claudia garante que a solução é simples. Basta melhorar a temperatura da água pelo menos no último enxágue. Assim como usar um shampoo mais neutro à base de extratos vegetais transparentes e evitar passar o condicionador na raiz do cabelo.

Contudo, cada gravidade de caso pede um tratamento específico. “Apenas lavar não vai adiantar, é necessário aplicar um shampoo de tratamento específico, pode ser um para acelerar a descamação, como se fosse um peeling, ou com ativos medicamentosos, como os antifúngicos, que trataria esse problema do fungo da dermatite seborreica”, conta Adriana.

“No caso da dermatite seborreica moderada à grave deve-se além do controle da temperatura da água, secar os fios antes de sair para uma temperatura mais fria, não dormir com os cabelos molhados, usar produtos de tratamento indicados pelo dermatologista a base de cetoconazol”, explica Claudia.

E depois, como manter o couro cabeludo saudável?

“Como o shampoo para caspa normalmente resseca o cabelo, o ideal é prender os fios e lavar somente a raiz com produto de tratamento”, orienta Adriana. Após esse processo, a dica é soltá-los e repetir o processo de lavagem, com shampoo e condicionador normais, máscara (se necessário), lavando somente o comprimento dos cabelos, para assim, minimizar os efeitos colaterais do tratamento da caspa no cabelo.

Por Amanda Panteri – IG

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