Brasil precisaria reduzir desmatamento em 43% em dois anos para cumprir acordo

Professor da USP Wagner Ribeiro crítica postura do país e explica que, além da construção de grandes obras, apoio à bancada ruralista também se sobressai como vetor de devastação

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Segundo o ISA, meta de redução em 2017 era pouco mais de 3.000 Km². No mesmo ano desmatamento chegou a mais de 6.000 Km²

O Brasil apresenta hoje quase o dobro do nível de desmatamento com o qual se comprometeu dentro de acordo sobre mudanças climáticas ratificado junto à ONU. Pelo protocolo firmado durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009 (COP-15), realizada em Copenhague, Dinamarca, o país tem dois anos para reduzir seu ritmo de devastação de floresta na Amazônia.

O alerta é do colunista da Rádio Brasil Atual, Wagner Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP). Segundo Ribeiro, estudos apresentados pelo Instituto Socioambiental (ISA) retratam o alinhamento do país – pós-golpe – aos interesses do agronegócio.

Com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a análise do ISA aponta que, em 2012, a taxa de desmatamento em uma área de 457.100 hectares de floresta respondia ao cumprimento de 96% da meta a ser atingida até 2020. Em 2017, recuou para 57%. Os indicadores evidenciam o afastamento do Brasil em relação ao acordo, ressalta por Ribeiro.

“O que nós assistimos nos últimos dois anos é uma intensificação aguda (do desmatamento), o que demonstra como o golpe também tem essa matriz, que precisa ser analisada com muita clareza: há um apoio para a bancada ruralista que repercute na intensificação do desmatamento na Amazônia”, diz o docente.

Apesar de ratificado, o descumprimento do acordo não é passível de punição jurídica, mas, se o rumo dos indicativos atuais se confirmar, Ribeiro afirma que o Brasil sofrerá consequências diretas, como a perda de biodiversidade e dos serviços ambientais feitos pela floresta, e também danos à própria imagem. (RBA)

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