Medidas que vão excluir agricultores da atividade leiteira

Elas vão exigir investimentos e custos de produção que vão excluir as pequenas propriedades e os pequenos laticínios

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Quem vai produzir leite no futuro?

Quem vai produzir leite no futuro? O deputado Dirceu Dresch (PT) defende que o alimento continue sendo produzido pelas pequenas propriedades da agricultura familiar.  Ele participou de seminários realizados esta semana em São Miguel do Oeste e Xanxerê que debateram o futuro da atividade leiteira. Para o deputado, as novas exigências para a produção de leite, que estão sendo propostas pelo Ministério da Agricultura, resultarão em exclusão de agricultores da atividade.

As mudanças nas Portarias 38 e 39/2018, da Instrução Normativa 51/2002, do Ministério da Agricultura, estão sob consulta pública. Os participantes das audiências defendem a anulação do processo e abertura de um canal de discussão com os agricultores familiares. “São exigências que não correspondem à nossa realidade do campo. Nossa agricultura familiar produz um produto de alta qualidade a baixo custo. As medidas que querem implantar não atingem somente o agricultor, mas o transporte, a distribuição, o resfriamento e a comercialização. Vão exigir investimentos e custos de produção que vão excluir as pequenas propriedades e os pequenos laticínios, que hoje favorecem a competição e garantem mercado”, aponta Dresch.

Futuro da produção de leite

O deputado, que é autor de projetos de lei que visam ao fortalecimento da produção de leite pelas pequenas propriedades, faz um alerta para o futuro da atividade. Refletindo sobre o rumo da atividade, o parlamentar aponta que há dois caminhos colocados. A linha liberal favorece as grandes empresas focada na concentração da produção em poucas propriedades, em modelo de confinamento à base de ração, excluindo os pequenos produtores. A outra opção é a linha da inclusão, construindo caminho que garanta a produção de leite em várias propriedades da agricultura familiar, sem exclusão, com qualidade, baixo custo, à base de pastagem, diversificado e distribuído. “Nós defendemos esse caminho que fez do leite gerador de renda para mais de 60 mil famílias e motor da economia de centenas de pequenos municípios catarinenses. Romper isso significará o empobrecimento e o êxodo no meio rural, algo que já aconteceu com a suinocultura”, argumenta Dresch. Em 1986 havia no estado 67 mil produtores comerciais de suínos, em sua ampla maioria agricultores familiares. Hoje são cerca de 8 mil criadores.

Além da retirada consulta pública sobre as mudanças nas portarias e instrução normativa, os participantes dos seminários defenderam a construção de uma política de cota de produção, subsídio ao transporte do leite e a criação de um selo de valorização do leite produzido pela agricultura familiar.