Não posso me calar diante dos ataques contra a dignidade das mulheres

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Ana Paula lamenta que mulheres em SC votem menos em mulheres do que a média nacional

A deputada estadual Ana Paula Lima afirmou nesta terça-feira 11, no Plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que seus mandatos são pautados para garantir os direitos das mulheres e a igualdade entre homens e mulheres. Ana Paula, que foi eleita no último domingo para presidir o partido em Blumenau, disse que defende maior participação feminina na política, nas siglas partidárias, nos movimentos e nos cargos públicos eletivos. “No entanto, me entristece que no nosso Estado, que tem um nome feminino e onde elas são a maioria da população, a mulher vota menos em mulheres do que a média dos brasileiros, conforme pesquisa do ‘projeto mulheres inspiradoras’, divulgada semana passada”, ressaltou.

Segundo ela, em 2014 a média de votos válidos para mulheres candidatas à deputada estadual no Brasil chegou a 12%, enquanto em SC ficou em 7,03%. Nas últimas eleições, em 2016, enquanto a média de votos para candidatas a vereadoras no Brasil foi de 16%, Santa Catarina ficou abaixo da média nacional com 14,4%. Das 219 candidatas – 19% do total de mulheres que concorriam a uma vaga nas Câmaras de Vereadores – não receberam nenhum voto.

“Na minha cidade, Blumenau, a Câmara de Vereadores é formada exclusivamente por homens. E aqui quero destacar a honrosa exceção de Planalto Alegre, município com cerca de 2.800 habitantes no oeste do Estado e que elegeu três mulheres para o legislativo municipal”, comentou. Ana Paula afirmou que a igualdade de gênero passa pelos espaços políticos, porque são espaços de decisão e de poder. “Por isso, não posso me calar diante dos recentes ataques contra a dignidade das mulheres registrados no Brasil e aqui em Santa Catarina. Teve assédio moral e sexual, um verdadeiro circo de horrores e que serviram para revelar o quanto é naturalizada a ideia de que nós, mulheres, temos de passar a vida aceitando passivamente as piadinhas sem graça, os constrangimentos e os abusos sofridos diariamente.”

A deputada citou os casos que a mídia divulgou recentemente, envolvendo figuras públicas e populares como o ator José Mayer, o cantor sertanejo Victor e o jovem participante de um de reality show, Marcos, que mostrou atitudes machistas, grosseiras, agredindo verbalmente, e quase que fisicamente as mulheres que participam do programa.

“Graças à pressão popular, especialmente às mulheres que tiveram coragem de denunciar e a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher que esteve nos estúdios da TV para pedir imagens das discussões, um inquérito foi instaurado. Diante disso este jovem foi expulso do programa. Os demais exemplos foram denunciados publicamente e os envolvidos punidos”, disse.

Para Ana Paula, denunciar o assédio e a violência de gênero é um ato de coragem, pois estes são crimes historicamente silenciados. “Precisamos ser mais solidárias e falar de assédio no trabalho, em casa, na rua, no elevador e outros espaços públicos e privados. Precisamos dar um basta em todos os tipos de assédio, como o sofrido recentemente pela professora Marlene de Fáveri, acusada por uma ex-aluna de perseguição ideológica”, afirmou. Segundo a deputada, é apenas uma entre tantas profissionais que dedicam a vida à educação e que, sistematicamente, têm sido atacados no exercício do seu ofício por lutar e acreditar que somos livres e devemos ter direitos iguais na sociedade. A parlamentar manifestou apoio à professora e à instituição a qual ela representa, inclusive redigindo uma moção de solidariedade ao caso.

Assessoria

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