Suicídio: Por que?

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No final da tarde da terça-feira 14, os bombeiros de Rio do Sul foram acionados por ciclistas, à Cachoeira da Magia, em Bela Aliança, quando ao tirar uma foto visualizaram um corpo de pessoa parcialmente submerso.

De acordo com os bombeiros que atenderam o ocorrência, ao chegarem ao local depararam-se com o corpo de uma mulher já sem vida. Foram informados, por populares que nas proximidades encontrava-se um veículos com placas do município de Agronômica. NO interior do carro foi encontrado carta de despedida e ao lado de ponte um par de chinelos.

O Instituto Geral de Perícias esteve no local. O corpo foi identificado como sendo de J.S, 40 anos, residente em Agronômica.

O Suicídio

No Brasil acontecem em média mais de 1 suicídio por hora, contabilizando 26 suicídios por dia, num total de mais de 9.000 pessoas por ano. Embora o país esteja na 11a posição no ranking mundial de taxa de suicídios, ocupa a 9a posição em números absolutos, por se tratar de um país populoso. (Bertolote, 2012). Analogamente, é como se um ônibus com 26 passageiros tivesse um acidente fatal todos os dias e ninguém comentasse sobre o assunto. Pouco se fala sobre o suicídio e quase nada se faz.

Nos últimos 15 anos, houve um aumento de 33% na taxa de suicídios completos no Brasil, maior que o aumento da população, dos homicídios e dos acidentes de trânsito. Temos cidades no Brasil com taxas maiores que a Lituânia, 1o colocado no ranking mundial de suicídios. O suicídio de homens com idade entre 15 e 24 anos teve um expressivo aumento de 20 vezes no período de 1980 a 2000 (Waiselfisz, 2011).

No mundo, todos os anos, aproximadamente 1 milhão de pessoas tiram suas vidas, numa taxa de mortalidade de 16 por 100.000 habitantes, ou seja, uma morte a cada 40 segundos, sendo a 13a causa de morte mundial e a 3a mais frequente em indivíduos com idade entre 15 e 34 anos. (WHO, 2010). Novamente, outra analogia é pensar que uma cidade do tamanho de Campinas (SP), por exemplo, desaparecesse anualmente.

O suicídio é o evento final de uma complexa rede de fatores. Ele é multifatorial, ou seja, apresenta vários fatores para ser compreendido. Essas causas podem ser econômicas, religiosas, sociais, biológicas, ambientais, culturais, psicológicas, psiquiátricas etc.

A Organização Mundial da Saúde diz que em um ato suicida geralmente encontramos sentimentos de depressão, desamparo, desesperança e desespero. Concomitantemente, as pessoas geralmente conhecem os desencadeantes, ou seja, o que precipitou aquela morte em um curto espaço de tempo, como a perda do emprego ou o término de um relacionamento. É importante saber que as causas são sempre várias e, na maioria da vezes, já influenciavam a pessoa há muito tempo. Dessa maneira, o suicídio é somente a ponta do iceberg, pois o que talvez o desencadeie seja todo o processo pelo qual a pessoa que o comete vivencia (Werlang; Botega, 2004).

No Brasil, em média, um suicídio por hora (Imagem Ilustrativa)

O suicídio em si não é um problema, mas é a solução encontrada para lidar com o sofrimento, por vezes, intolerável e interminável. Sendo assim, as pessoas se matam talvez para fugir de algum problema, mas acabam por dar fim as suas vidas. O suicídio NUNCA é culpa de uma pessoa.

A Prevenção

O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo: decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia. (Albert Camus)

A prevenção do suicídio pode ser primária, secundária e terciária, e a posvenção deve conter intervenções psicossociais, ambientais e socioculturais.

Dentre as intervenções possíveis, estão: Educação sobre saúde mental. Treinamento de pessoas chave. Treinamento de aptidões. Screening (rastreio). Intervenções com diversos níveis. Controle de álcool. Treinamento de clínicos gerais. Restrição de acesso aos meios. Intervenções breves. Frentes de ajuda. Prevenção do suicídio pela internet. Grupos de suporte para tentativas de suicídio. Tratamento psicológico. Grupos de sobreviventes. Centros de ajuda a pessoas em crise. Continuidade da ajuda. Diretrizes para a mídia. Grupos especiais: programas para escolas, idosos e prisioneiros. (Vita Alere)

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